Fatos estranhos, nocivos à boa saúde ocular do brasileiro, estão se passando dentro de muitas óticas do País; e torna-se necessário que sejam levados ao conhecimento da população, para que o cidadão não seja lesado em seus direitos, e em seu bolso.
Uma mania errada, e prejudicial, de trocar e adulterar receitas oftalmológicas está tomando conta de várias óticas em todo o País, prejudicando pessoas, prejudicando profissionais da medicina; prejudicando óticas e óticos bem-intencionados; promovendo gastos desnecessários e confundindo alhos com bugalhos.
Se de espertos e atrevidos, todos padecem um pouco, o que se constata, para ampla denúncia e alarde, é que algumas pessoas, dentro de óticas e sem nenhuma formação médica, estão tratando as pessoas como se médicos e especialistas fossem, e sem nenhum rubor na face. Querem por que querem receitar e vender. Não querem enfrentar o longo aprendizado da medicina e nem entender que assuntos de saúde ocular requerem um aprimoramento constante por meio da especialização. Acham que podem até trocar a receita do médico por conta própria, pouco interessando a necessidade e o bolso do cliente. São charlatães atuando em ambientes refinados e tendo, como pano de fundo, toda uma parafernália eletrônica, imitando consultório médico; esnobando, junto aos leigos e desinformados, a origem ‘‘importada’’ de tantos equipamentos.
Tem-se constatado enormes besteiras e fanfarronices contra o maior interessado na questão: o cliente; contra você que vai comprar seus óculos. Alguns exemplos: muitas pessoas necessitam de óculos só para perto; e, no balcão da ótica, enfiam pela goela abaixo deste consumidor, sem nenhum prurido na consciência, lentes multifocais (lentes caras e não indicadas nesta situação), atropelando e desrespeitando a receita médica. E usam dos mais estapafúrdios, para não dizer criminosos, argumentos para a venda da mercadoria, num jogo desleal e insincero para com os médicos. Chegam até a dizer que o doutor não conhece as últimas novidades em lentes para óculos: e que eles, óticos, é quem devem decidir qual a melhor lente para o usuário.
Um outro caso ilustrativo: muitas óticas estão comprometendo quase todo o orçamento familiar na compra dos óculos, quando se podia (e devia) obedecer as prescrições médicas e racionalizar custos para o cliente. Justamente nesta época, em que o próprio Ministério da Saúde está empenhado em implantar, em todo o Brasil, os medicamentos genéricos para aliviar o bolso da população, muitas óticas querem castigar o cidadão, com preços altos e abusivos. E tudo em nome da vaidade e da falta de visão social/científica destes balconistas gananciosos.
O objetivo destas linhas é, principalmente, alertar toda a sociedade brasileira para ficar de olho vivo com esta turma do exercício ilegal da medicina; em algumas destas óticas já se tem até consulta com hora marcada, etc e tal, num escandaloso abuso de função e de formação. É necessário, portanto, que as autoridades competentes tomem conhecimento de que coisas desta natureza acontecem em quase todas as cidades brasileiras, assolando e abusando de leigos.
Nada mais sério e importante para o ser humano do que ser assistido e orientado por bons e competentes médicos. E óculos e lentes de contato são assuntos que competem, tão somente, ao seu médico orientá-lo no melhor e mais seguro caminho. A parceria médico/paciente, num clima de ampla confiança/entendimento, é sempre o primeiro passo desejável para a credibilidade na saúde. É para isto que o Brasil está despontando como um dos maiores líderes mundiais em oftalmologia.
- RENZO SANSONI é médico oftalmologista em Uberlândia (MG)

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