O Brasil em 2020

Manuel Joaquim R. dos Santos
  Não se trata de adivinhação! É uma simples prospecção, baseada em dados concretos atuais e evidentemente condicionada por fatores, prováveis ou improváveis, que surjam nos próximos dez anos. O Brasil iniciará a terceira década do milênio longe de fazer parte do time dos que estarão ditando os parâmetros da globalização à época. A China e a Índia darão o tom de tudo que se efetuar debaixo do sol. Não é segredo para ninguém que a hegemonia norte-americana cederá um espaço espantoso para os ‘‘novos tigres’’ do Oriente. Mesmo que os EUA continuem sendo a maior potência bélica...
  A Europa, envelhecida, terá que lidar internamente com a inclusão de emigrantes (maioria muçulmanos) que a ajudarão a superar suas dificuldades com o invejável sistema social que conquistou no pós-guerra. Um relatório da CIA aponta que a China ultrapassará os países do velho continente em termos de PIB na década de vinte.
  O Brasil poderia estar dando cartas, como alguém mencionou, mas se estiver jogando, já ficará satisfeito! A agressividade do jogo (continuando com a imagem) não aceitará países que não consigam integrar tecnologia, equilíbrio fiscal e distribuição de renda com crescimento econômico real na margem dos 8% ao ano, no mínimo! Ora, apesar das estimativas favoráveis, a corrupção endêmica, a impunidade crônica e a desconfiança total na classe política (que não é prerrogativa exclusivamente nossa), o avanço do país ficará muito aquém do o esperado. Mas isso é pouco!
  Calcula-se que os programas de ‘‘emancipação da miséria para a pobreza’’ ou chamados ‘‘sociais’’, estejam gerando a médio e a longo prazos prejuízos irreparáveis para o Brasil. De cada dez brasileiros, quatro poderão estar dependentes do Estado. O custo da manutenção dessa atitude paternalista e imediatista se refletirá numa carga tributária com tendência a ficar mais devoradora. Um país engessado, devorado pela falta de credibilidade da classe governante e com uma infra-estrutura arcaica e destruída não tem PAC nem etanol que o tornem competitivo nos moldes que 2020 exigirá.
  Caminhamos na contramão da história. Os acirrados e anacrônicos neonacionalismos da América Latina acabarão nos influenciando de algum jeito. A tentação de manter a atual ideologia no poder corroerá muitos corações e mentes com as mais esquizofrênicas desculpas e justificativas. A promiscuidade entre os poderes, principalmente Executivo e Legislativo que revelou as vísceras da podridão dos conchavos, tem testado sobremaneira a consistência da já frágil democracia.
  Sabe-se que a riqueza mundial em 2020 será 80% maior do que em 2000, mas isso não significará necessariamente aproximação entre os países pobres e ricos. Mundialmente, as condições serão favoráveis ou desfavoráveis a países como Brasil. Não é novidade. Nos últimos oito anos tivemos condições excelentes em nível global e não significou nenhum salto significativo para nós, que não seja o aumento do superávit.
MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é padre na Arquidiocese de Londrina


Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Roseli Célia Faria Freire
  Com o envelhecimento da população temos hoje um acelerado crescimento de males associados à senilidade. Entre eles, o principal é a doença de Alzheimer, mal este que atualmente é um sério problema de saúde pública em todo mundo.
  O Mal de Alzheimer é uma doença degenerativa caracterizada pela perda parcial da memória, incapacidade de realizar simples tarefas, desorientação e alterações da personalidade. Foi assim batizada pelo neurologista alemão Alois Alzheimer (1864-1915), em 1906, após diagnosticar lesões cerebrais jamais vistas durante uma autópsia.
  Estima-se que em 2025 o número de pacientes acometidos pela doença - também conhecida como ‘‘mal do século’’ - chegue à casa dos 200 milhões em todo o mundo.
  É imprescindível ficar alerta aos primeiros sinais da doença. Com o diagnóstico precoce ainda há condições de promover uma melhor qualidade de vida ao paciente e minimizar assim o seu sofrimento.
  A fase inicial da doença caracteriza-se pela distração, pequenos esquecimentos, não reconhecimento do ambiente familiar e lentidão em afazeres domésticos.
  Na fase intermediária a perda da memória é maior, bem como as atividades cognitivas, havendo também alterações do humor, agressividades verbal e física e, em alguns momentos, alucinações visuais e auditivas. Apresenta também início da perda do controle da bexiga.
  Já na fase final o paciente não consegue se comunicar, apresenta dificuldade em engolir os alimentos, perde a coordenação motora com presença de delírios contínuos.
  As associações de Alzheimer do mundo todo celebram o Dia Mundial do Alzheimer neste 21 de setembro com o objetivo de conscientizar a família, os cuidadores e toda a comunidade da importância da real informação e cuidados correlacionados ao portador da doença. Também enfatizam a necessidade da solidariedade, do carinho e do apoio familiar ao portador da doença.
  Por coincidência, nesta mesma data comemora-se o Dia da Árvore. Ela relaciona-se ao ser humano por apresentar algumas semelhanças como o ciclo natural da vida: nasce, cresce, dá flores, frutos e morre, mas deixa a sua marca indelével.
  A natureza nos proporciona as mais belas paisagens e a nós compete oferecer estas belezas ao próximo, mesmo tendo suas próprias limitações.
ROSELI CÉLIA FARIA FREIRE é enfermeira em Londrina


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