Chame o síndico!
Ele já rendeu letra de música, bordão e, entra ano, sai ano, segue na berlinda. Para quem mora em edifícios, a certeza é uma só: bateu a dúvida, no problema ou na busca pela solução, chame o síndico.
Nas palavras do advogado João Vicente Capobiango, síndico é o representante eleito pelos condôminos que está no cargo para administrar, auxiliar e conduzir os interesses dos moradores. ''O síndico é, em primeiro lugar, um condômino. Cabe ao síndico organizar, fiscalizar os funcionários, o asseio, a segurança e ser um porta-voz e pacificador de eventuais problemas''.
Seria difícil ser um? Síndico do edifício Golden Gate, na Rua Belo Horizonte, Witney Macarini acredita que não. Com um currículo extenso - as outras experiências foram à frente dos edifícios Luiz de Camões e Jabur -, Witney acentua, como uma de suas principais características, a facilidade em se relacionar com as pessoas. ''Eu, como morador, nunca tive atritos. Quando surgem reclamações, o segredo é saber se impor e investir na diplomacia, apaziguando os ânimos, sem ser altivo ou prepotente''.
Para os adolescentes que volta e meia ''aprontam'', Witney sabe se colocar. E é amigo deles. ''Não tenho dificuldades em falar a linguagem deles, aliás, sou aberto ao diálogo com essa geração, que é tida como rebelde. Mas não é. O que parece complexo é simples'', ressalta Witney, que atribui, à função de síndico, o papel de mediador.
Para a maquiadora Clarice Maria Zandonai, síndica há dez anos do condomínio Quinta da Boa Vista III B, educação, respeito e discernimento são as palavras-chave para o bom funcionamento de um edifício.
Conciliando a rotina diária entre pincéis e bastões com o cargo, Clarice, que ''gosta das coisas muito organizadas'', acredita que, para se conseguir isso, muitas vezes é necessário estar à frente. ''Eu vejo o síndico como um empregado do condomínio. Ou a pessoa ama ou a pessoa odeia o síndico''.
A fim de evitar desavenças, a maquiadora, que administra a rotina e bem-estar de nada menos do que 124 apartamentos - cerca de 400 pessoas - procura, a cada novo morador, ressaltar os pontos mais polêmicos do Regimento Interno. ''Geralmente as pessoas respeitam as normas. Eu levo sorte. Sempre que converso, tento a conciliação. Salvo um ou dois casos que não consegui resolver e foram parar na polícia'', revela.
Nos casos em que intervém, a síndica do Quinta da Boa Vista III B investe na mesma logística. ''Primeiro eu converso, advirto verbalmente, tento num segundo caso a advertência verbal, na terceira vez eu dou a advertência por escrito. Geralmente, tudo se resolve na segunda etapa, com a advertência por escrito. Nesses últimos dez anos eu multei apenas duas vezes''.
Tendo a firmeza como uma de suas aliadas, Clarice diz que o exemplo vem de casa. ''Tanto eu quanto os membros da minha família temos que ser uma boa referência''. E, por fim, dá a receita. ''A pessoa que quer assumir o cargo de síndico deve estar ciente que ela tem que conversar muito, ter muita paciência e boa vontade porque senão não consegue alcançar seus objetivos. Para ser síndico tem que ter muito gogó!''.





