Três meninas raptadas e mortas em menos de uma semana, no Paraná, levaram a reportagem da FOLHA a pesquisar e constatar que é muito fácil o contato de estranhos com crianças que estão defronte da escola aguardando à entrada em aula (caso de Londrina) e também na hora de irem embora. Acontece com meninas e meninos. São muitos os alunos pequenos que chegam e retornam sozinhos. Uma imperdoável irresponsabilidade dos pais.
  Os fatos narrados por três repórteres deste Jornal demonstraram que é preciso mudar costumes e implantar um sistema conjunto entre pais e escolas, para não permitir a facilitação a raptos e às conseqüências decorrentes. Não foi difícil aos repórteres (homens) abordar meninas e meninos de idade média de 10 anos, nos portões das escolas visitadas. Sem saber que os três estranhos faziam um trabalho jornalístico, as crianças abordadas foram revelando seus roteiros da casa para a escola.
  Uma menina de 8 anos, que não mora longe de onde estuda, disse que vai e volta sozinha. A comprovação flagrante foi que são muitas as criançaas chegando sós, sem um acompanhante adulto, e se assim é com a chegada é tambem com o retorno para casa. Nessas escolas nenhuma viatura policial passou enquanto ali estavam os repórteres. Se os pais descuidam dos filhos pequenos dessa forma, estão facilitando que o pior possa contecer. Um trabalho conjunto entre pais e escolas precisa ser adotado, e o exemplo de que esse sistema de segurança funciona foi mostrado pela reportagem da FOLHA citando uma escola de Curitiba (e assim é em grande número delas). Ali os pais conduzem os filhos à aula e estes não saem sozinhos, aguardando no pátio interno. Além disso, em aula os alunos recebem orientação sobre segurança e os cuidados que devem tomar. Se há descaso a essas normas os pais são cobrados.
  Quando a própria família negligencia, não pode exigir da escola e da polícia que cuidem sozinhas do problema. Se, irresponsavelmente, permite que – principalmente as meninas, que são mais visadas e vulneráveis – saiam de casa e retornem sozinhas, mesmo que residindo próximo do local do estudo, estão colaborando para eventualidades imprevisíveis. Os casos ora acontecidos e os tantos outros do gênero deveriam servir de alerta, porque há muito perigo rondando.
  Pais que chegam a esse ponto de irresponsabilidade precisam ser denunciados pelas escolas, e organismos como as Promotorias de Justiça também devem agir, porque são crianças que estão sob sério risco de rapto e tudo o mais de pior.

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