Cerveja pode atenuar crise
É sempre assim: futebol e cerveja, uma combinação consumista que alavanca as vendas em qualquer período. Em tempo de mundial de futebol, como agora, as projeções mais otimistas se confirmam ou são superadas. O destaque do Caderno de Economia desta edição trata do assunto. Marketing agressivo, aumento da produção, festivais de promoção, enfim, as indústrias ousam, indiferentes ao tamanho do inverno. A paixão nacional aquece o mercado.
E é bom mesmo que isto aconteça; que pelo menos os setores que caminham na esteira da diversão, garantam prosperidade para contrapor a tendência de queda na economia como um todo. Agentes econômicos e também os analistas estão se dando conta de que a alta dos juros no mercado, puxada pelo aumento dos juros básicos (selic), vai sim comprometer o crediário e inibir o consumo. É a fórmula desejada pelo governo para inibir o consumo e conter a inflação pelo menos até as eleições.
O recuo na demanda de bens duráveis, ou de bens de consumo, está suficientemente caracterizado. Foi subestimado dois meses atrás, mas deve transparecer já nos indicadores de junho. Tanto que ontem foram revelados dados de pesquisa mostrando que os empresários estão menos otimistas com o desempenho daqui para frente. Os dados são da pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Detalhe: as pesquisas da entidade sempre tenderam para a amenização da crise, talvez para não contrariar o discurso do governo.
O estudo aponta que a expectativa para os próximos seis meses em relação à demanda fica em 64,4 pontos, acima da média histórica de 59,2 pontos, mas abaixo da pesquisa divulgada em abril, 65,7. Os dados da pesquisa variam de zero a cem. Valores abaixo de 50 pontos indicam expectativa negativa e, acima de 50 pontos, expectativa positiva.
Indicadores como gasto de energia, oferta de empregos e uso da capacidade plena de uma indústria não falham, ou seja, não falseiam a realidade do cenário daquele momento. E segundo a CNI, a utilização da capacidade instalada recuou de 54 pontos em março para 60 pontos em abril.





