Cérebro e erotismo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de outubro de 2002
Moacir Costa 
Por que o cérebro é tão importante? Ele se conecta ao campo dos sentidos de uma forma muito suave. Por meio dos cinco sentidos, por meio de uma série de informações que são passadas pela música, por uma boa conversa, filmes, enfim, por causa dessa experiência agradável de convivência, há uma cadeia de emoções prazerosas que são acompanhadas pela mente. O corpo também acompanha esse movimento e os sentimentos vão germinando um relacionamento.
A mente, a fantasia e a imaginação são ingredientes essenciais do bem-estar psicológico, do aumento do interesse e da atração sexual entre duas pessoas. Os hindus e outros povos orientais valorizam a aproximação, o ritual sensual e demorado que um relacionamento pode provocar. Já o mundo ocidental faz as coisas na base da pressa, do fast food. Come-se e transa-se rapidamente, sem dar importância à qualidade e ao sabor.
Quando as pessoas dedicam mais tempo aos sentimentos, à observação, ao conhecimento mútuo, que é o verdadeiro encontro entre duas pessoas, a sexualidade fica mais disponível. Nesse contexto, inclui-se também, além do cérebro, que deve ser sempre estimulado com situações agradáveis e prazerosas, o poder de sensibilidade da pele. Há quem acredite que o maior e mais importante órgão erótico do corpo humano é a pele, uma extensão enorme onde milhares de pontos são excitáveis quando tocados. A constatação de uma sensação de conforto aumenta a sensualidade e estimula as pessoas a continuarem se tocando. Essa experiência como aprendizado é sempre inesquecível.
Pena que muita gente não saiba disso. Há pessoas que pouco se tocam, se abraçam ou se beijam, na maioria das vezes por que tiveram uma educação repressiva, onde se constata muita vergonha do corpo e da nudez. Infelizmente, nos consultórios é preocupante o número de pessoas com problemas sexuais em virtude do pouco tempo dedicado à intimidade. É impossível ter prazer num relacionamento que não dura mais de 10 ou 15 minutos.
Voltando ao cérebro, ele pode ser exercitado para o bem de um relacionamento carregado de emoções. Em vez de o casal gastar um tempo enorme em frente à televisão, sem conversar ou trocar carinhos, existem mil possibilidades de filmes, concertos, shows, passeios, viagens, caminhadas, bate papo com amigos, e outras coisas mais acontecendo lá fora. Tudo isso é um processo interativo e um bom alimento para o cérebro.
É dessa maneira que a pessoa se sente ativa, inspirada, com pensamentos positivos e muita energia; e assim a vida afetiva e sexual é que saem ganhando.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta e autor do livro ''Vida a dois''


