Cerco político
A abertura dos 83 inquéritos contra ministros, deputados, senadores, governadores e outros políticos citados na delação dos executivos e ex-executivos da Odebrecht determinada na última terça-feira pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), fecha o cerco político às diversas esferas do Poder da República. A chamada "lista de Fachin" inclui oito ministros do governo Temer, 24 senadores e 39 deputados federais, entre eles os presidentes do Senado, Eunício Oliveira(PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Esses políticos fazem parte do rol de 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht, todos com foro privilegiado no STF. Os pedidos da PGR estavam sob sigilo, mas Fachin derrubou a pedido do procurador-geral Rodrigo Janot. Ao tornar as delações públicas, o relator da Lava Jato no STF destacou que a Constituição "prestigia o interesse público à informação". E é claro que toda a sociedade brasileira quer saber o que acontece nos bastidores da política bem como a corrupção que praticamente destruiu a Petrobras. PT, com 21 nomes, e PMDB, com 18, são os partidos com maior número de filiados citados nos pedidos de abertura de inquérito. O PSDB, do senador mineiro Aécio Neves que também será investigado, vem em terceiro lugar com 12 nomes. Curiosamente em suas delações os ex-executivos da Odebrecht mencionaram os cinco ex-presidentes da República ainda vivos: José Sarney (PMDB), Fernando Collor (PTC), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). À exceção de Collor, que cumpre mandato de senador, os demais não possuem mais foro especial e Fachin enviou os pedidos a instâncias inferiores. O presidente Michel Temer é citado na lista, porém não há pedido de investigação contra ele, por ter "imunidade temporária". Se a divulgação da lista de Fachin estarreceu o País, caso a investigação do STF comprove os relatos da "delação do fim do mundo" da Odebrecht, sobrarão poucos políticos isentos para disputar a eleição de 2018. Resta saber se nossa Justiça dará celeridade que o caso requer ou se teremos um replay do julgamento do mensalão.





