A Rua Sergipe, uma das vias comerciais mais tradicionais de Londrina, expõe um paradoxo que deve ser melhor analisado pelo poder público da cidade: há gente, empresas, transporte, história e equipamentos culturais, mas parte desse potencial permanece subutilizada. Um levantamento realizado por uma empresa de inteligência territorial identificou 31 lojas fechadas na via, um sinal visível de um problema que não se resume à falta de consumidores.

Os números mostram que o Centro ainda tem uma vantagem importante: população. Quase 12 mil pessoas vivem em um raio de 500 metros da Sergipe. O desafio, portanto, é transformar essa presença em ocupação urbana, circulação e atividade econômica ao longo de todo o dia — e não apenas durante o horário comercial.

A comparação com outros corredores comerciais de Londrina, como a Gleba Palhano, ajuda a mostrar a mudança no perfil das diferentes regiões da cidade. Considerando uma área de 250 metros ao redor de cada eixo analisado, a Rua Sergipe reúne 4.533 moradores e 1.910 CNPJs ativos. Já na região da Avenida Ayrton Senna são 2.264 moradores e 1.625 empresas, quase metade do número de habitantes registrado no Centro.

A grande diferença aparece na renda e na estabilidade dos negócios. Na Sergipe, a renda domiciliar média estimada nessa área é de R$ 13.452, enquanto no entorno da Ayrton Senna chega a R$ 22.718.

A rotatividade histórica também é menor na Gleba. Na região da Avenida Ayrton Senna, o indicador levantado pela pesquisa é de 38,3%, contra 60,7% na Rua Sergipe.

A revitalização da região exige, por isso, uma visão que vá além da reforma de calçadas, fachadas ou espaços públicos. É preciso enfrentar a realidade de imóveis antigos, muitas vezes caros e complexos de adaptar, estimular o retrofit, facilitar a aprovação de projetos e criar condições para que os pavimentos superiores voltem a ter utilização.

Identificar imóveis vazios, entender por que estão fechados, criar estímulos à ocupação e acompanhar resultados são medidas mais efetivas do que intervenções pontuais. A Rua Sergipe não precisa ser reinventada. Precisa voltar a ser plenamente ocupada, acessível e viva.

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