Um dos grandes problemas enfrentados em Londrina e, praticamente, em todos os municípios brasileiros, é a grande quantidade de animais vivendo na rua, principalmente cães e gatos que sofreram com o abandono ou que já nasceram sem um lar. Essa é uma situação bastante nociva para a população, uma vez que diversas doenças, conhecidas como zoonoses, podem ser transmitidas para seres humanos por meios desses animais domésticos e também pelos sinantrópicos (animais que se adaptam a viver junto ao homem, tais como formigas, baratas, ratos, mosquitos, abelhas, pombos, morcegos, pulgas, carrapatos, etc.), tornando-se questão de saúde pública.

Além das doenças mais conhecidas e divulgadas pela mídia, como dengue, chicungunya e febre amarela, esses animais também transmitem raiva, doença de chagas, malária,leptospirose, toxoplasmose, leishmaniose, entre outras. Para amenizar a situação dos animais abandonados e também a proliferação das doenças, surge a importância de um Centro de Zoonoses, esperado pelo município de Londrina há bastante tempo. O centro consiste em uma unidade de saúde que visa não apenas adotar medidas de precaução de doenças para a população, como também busca o bem-estar animal. Além disso, ficam disponíveis nestes locais animais para adoção, após serem devidamente vacinados,castrados e tratados contra vermes, pulgas e carrapatos.

A base de ação destes centros está no controle do número de animais domésticos e na conscientização da população, para que compreenda como funciona a propagação das doenças e entenda a sua responsabilidade no processo, trabalhando em conjunto com os profissionais para garantir a prevenção e luta contra as doenças.

De acordo com a presidente da Comissão do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal da Ordem do Advogados do Brasil em Alagoas, Cristiane Leite, o Controle de Zoonoses está totalmente ligado à saúde humana. "Segundo ela, estudos apresentam que a cada R$ 1 investido na saúde animal, são poupados R$ 27 na saúde pública".Por conta disso, administrações municipais anteriores chegaram a divulgar a captação de recursos do governo para a criação de um Centro de Zoonoses em Londrina e, desde então, a cidade tem esperança da criação de uma unidade que atue no controle dessas doenças e prevenção de epidemias.

Outras propostas também foram feitas para garantir melhorias na área, como um projeto de cooperação entre a prefeitura e as ONGs de animais, porém, a parceria não chegou a ser efetivada. O mais próximo que o município chegou desse esse tipo de centro foi a implantação de um canil, localizado na zona sul. No entanto, mesmo sem o apoio do executivo, as ONGs e instituições cadastradas no programa Nota Paraná estão encontrando ajuda por meio da doação de notas fiscais de consumidores que não declaram seu CPF ou CNPJ no ato da compra. A associação defensora dos animais de Londrina chega a receber cerca de R$ 30 mil do Nota Paraná por mês e, com isso, consegue cobrir aproximadamente metade dos custos.

Londrina é a 2ª maior cidade do estado do Paraná e está atrasada em relação à outras 16 cidades que já possuem estes centros de prevenção. Em Curitiba, além do Centro de Zoonoses, a capital conta com um abrigo público com capacidade para 80 animais. Mais próximo de nós, a cidade de Maringá conta com o centro desde 2004.Ponta Grossa possui um Centro de Referência de Animais de risco desde o ano passado e tem capacidade para receber 250 animais. Além disso, a cidade sancionou uma lei chamada "Programa Municipal de Adoção Responsável de Pequenos Animais" que concede descontos no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para aqueles que adotarem animais. Uma cidade ao sul de Santa Catarina está estudando uma proposta onde os munícipes poderão optar por doar R$ 1 debitado em sua conta de água para realizar a castração de animais de rua. O dinheiro arrecadado servirá para alugar um local e contratar uma equipe de veterinários para realizar os procedimentos.

O abandono de animais é uma situação grave e emergente. A guarda irresponsável, os proprietários relapsos e a carência de investimentos na área de controle populacional de animais são os grandes fatores responsáveis pelo atual cenário. Apoiar a causa e exigir a construção de um centro é pensar no bem-estar de todos, respeitando o direito do animal à vida e garantindo situações de risco sejam amenizadas e, quem sabe, erradicadas.

YOHANA CREMONEZ LIMA e GAIZA ZIRONDI SARDI são estudantes de Administração da Universidade Estadual de Londrina

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