Centro de Excelência do Xadrez: a saída é virtual - Jaime Sunye Neto
Centro de Excelência do Xadrez: a saída é virtual
Com o sucesso do Centro de Excelência Rexona de Voleibol e com a efetiva implantação do Centro de Excelência de Basquetebol, ganha força a idéia da implantação do Centro de Excelência de Xadrez do Paraná (CEX). A maior razão para este interesse é a maturação do projeto de ensino do xadrez nas escolas públicas que, criado pela Fundepar com o objetivo de melhorar a performance dos alunos, acabou gerando uma demanda importante de jovens buscando o aperfeiçoamento e o treinamento no xadrez.
Funcionando desde 1980, o projeto atinge hoje mais de 360 mil escolares de 930 escolas em 299 municípios do Paraná, um número significativo para qualquer modalidade, mas excepcional para o xadrez. O projeto supera, em número de alunos, programas similares de Cuba e da Província de Buenos Aires.
Apesar de levarem os mesmos nomes e buscarem objetivos similares, os Centros de Excelência têm formatos distintos. O de xadrez não conta com treinadores preparados como têm basquete e vôlei; não dispõe da mesma capacidade de movimentar recursos publicitários e de marketing.
Assim, se quisermos atender, numa primeira fase, aos mil mais talentosos estudantes enxadristas do Paraná, provavelmente eles estarão em 200 municípios; considerando a conveniência de separar os grupos em dez níveis de força, a maioria das turmas terá apenas um aluno. Assim, sem recursos para trazer os enxadristas a um centro próprio, nem levar os treinadores até eles, o xadrez, com ambições maiores e recursos menores, aparentemente estaria em um beco.
A saída é virtual. As novas tecnologias nos permitem vislumbrar como saída para a popularização e aproveitamento do potencial pedagógico deste esporte, um Centro de Excelência Virtual, onde os ensinamentos possam ser transmitidos pela Internet. O processo reuniria os melhores enxadristas do Paraná com os melhores mestres, sem tirá-los de seus lugares. Dessa forma, a existência de enxadristas no Estado, o baixo custo de seu funcionamento e a possibilidade de desenvolver parcerias com as prefeituras indicam que um Centro Virtual é o ideal.
A tecnologia de ensino pela Internet, embora ainda muito recente, já apresenta exemplos concretos para o futuro do ensino virtual. Mesmo assim, desenvolver programas eficientes não é um processo simples. Se a capacitação dos treinadores para o uso de novas tecnologias é complexa, quebrar o conservadorismo é ainda mais difícil.
Apesar dos custos serem baixos, eles existem, e será preciso equipar um núcleo gerador, centros regionais, secretarias municipais, escolas, clubes e demais entidades que venham a participar do Centro. As dificuldades visualizadas existem. Mas quando se aprofunda a questão elas parecem cada vez mais um desafio a ser ultrapassado do que uma barreira impedindo seguir esse caminho.
De acordo com dados da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o Paraná é o segundo Estado em desenvolvimento de software e seguramente capacitado para assumir este desafio tecnológico e educacional. Por outro lado, os problemas das telecomunicações sempre foram menores aqui do que no resto do País e o cabeamento com fibra ótica desenvolvido pela Copel caminha a passos rápidos, sem falar da tecnologia de transmissão por microondas para a Internet que deve entrar em funcionamento pioneiramente no Paraná.
A mudança de mentalidade dos administradores e educadores desportivos é necessária e encontra um amparo amplo não só nas instituições de ensino superior mas nos próprios Centros, e mais ainda, na recém-criada Universidade do Esporte. Para a viabilização do projeto, as atividades já têm apoio conjunto das Secretarias da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, do Esporte e Turismo e da Educação. Os enxadristas também já se acostumaram a buscar parceiros para amistosos nos clubes virtuais e a enfrentar cérebros artificiais capazes de derrotar o campeão mundial.
Com relação aos custos, é importante notar que se o núcleo gerador exige equipamentos potentes e caros, o mesmo não ocorre para os futuros usuários do CEX. O equipamento para os Centros Regionais e demais alunos tem uma configuração simples. Por último, justifica-se a implantação do CEX em Curitiba, cidade que detém a liderança paranaense dentro do xadrez brasileiro, nos aspectos técnicos, organizativos e administrativos.
O fato da Confederação Brasileira de Xadrez ter sua sede em Curitiba, o sucesso do ensino do xadrez nas escolas e a organização, no Paraná, de 11 campeonatos mundiais e dezenas de campeonatos Pan-Americanos não são fatos isolados. São, sim, frutos de uma vocação e de muito trabalho.
- JAIME SUNYE NETO é grande-mestre internacional de xadrez e coordenador técnico do Centro de Excelência em Xadrez do Paraná, em Curitiba





