É preocupante o posicionamento do Partido dos Trabalhadores (PT) com relação ao marco regulatório das comunicações. Durante o 4º Congresso Nacional da legenda, realizado nesse final de semana em Brasília, os militantes aprovaram a moção que recomenda uma ''campanha forte'' no Congresso para a votação do marco que, entre outros itens, pretende estabelecer regras para a mídia. O marco regulatório é um projeto elaborado no governo Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ex-ministro Franklin Martins, mas que está sendo revisado pelo atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Segundo o documento, o objetivo é garantir ''liberdade de imprensa, direito à opinião, nenhum tipo de censura de conteúdo, mas democratizar a comunicação no país, (...) que se possa regulamentar os artigos da Constituição que falam sobre a propriedade cruzada de meios (de comunicação)''. A expressão ''propriedade cruzada'' é usada para definir a posse por grupos de mídia de mais um tipo de meio de comunicação: rádio, TV ou jornal.
Embora o partido afirme não querer interferir no conteúdo dos veículos de comunicação, na prática este não é o resultado e pode sim ser traduzido em tentativa de censura. Há muito circulam notícias em toda a imprensa, sobre a vontade do PT de controlar o conteúdo divulgado na mídia. A liberdade de imprensa é um direito garantido pela Constituição Federal e um dos princípios básicos da democracia. Não se pode impor restrições aos meios de comunicação de massa e ao poder de questionamento dos jornalistas. Sem uma imprensa livre e forte, a sociedade fica à mercê de administrações corruptas e populistas.
É bom que se fique claro que não são necessárias novas regras ao livre exercício da profissão. A própria legislação brasileira já prevê punição aos profissionais que infringirem a lei de imprensa. Os jornalistas não estão sob a proteção cega da lei. É princípio básico da profissão ética e responsabilidade.

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