Ainda sob o choque da morte prematura do presidenciável Eduardo Campos (PSB), ontem de manhã, já há conversas de bastidores sobre os novos rumos das eleições. Afinal, quem herdará os votos do candidato do PSB? Campos estava em terceiro lugar nas pesquisas, com 8% das intenções de votos, atrás da presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB). Ele era considerado um dos políticos mais promissores do cenário nacional, mas ainda pouco conhecido pelo eleitorado fora da Região Nordeste.
É óbvio que pela tragédia e grande comoção, não há conversas públicas sobre o assunto. Há que se respeitar o luto da família. No entanto, a propaganda política na televisão e no rádio começa na próxima terça-feira e o PSB tem dez dias, a contar de ontem de acordo com a Lei Eleitoral, para apresentar um novo candidato. Para que o novo nome seja homologado, é preciso que as executivas dos partidos que apoiavam Campos ratifiquem a decisão por escrito.
O PSB apoiará Marina Silva? Sabe-se que ela não é unanimidade entre outras lideranças do partido. O agregador e articulador entre os dois partidos era Campos. Além disso, há que se contar com a possibilidade de o PT oferecer ao PSB participação em um eventual segundo mandato de Dilma em troca de neutralidade nas eleições. A polarização PT-PSDB é interessante aos petistas. Sem um terceiro candidato viável, a reeleição da presidente já no primeiro turno ficaria teoricamente mais fácil, afirmam analistas. Outra hipótese – óbvia – é que a morte de Campos pode gerar uma comoção em torno da candidatura de Marina. O próprio irmão mais velho do candidato, Antônio Campos, defendeu a tese ontem.
Aos eleitores resta, agora, acompanhar o desenrolar da campanha eleitoral. Também deve-se esperar que essa morte trágica não seja usada politicamente. É o momento de todos demonstrarem maturidade e respeito pelo candidato.

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