Os indicativos de que a economia brasileira não vai bem são inúmeros. Ontem pesquisa divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná aponta que o varejo sofreu os efeitos da Copa do Mundo. Ao contrário das expectativas, os jogos derrubaram o movimento nas lojas no Estado: queda de 4,35% em junho ante o mesmo mês do ano passado. Em Londrina, a redução foi de 1,35%. O Paraná fechou o primeiro semestre com apenas 0,48% de aumento com relação a igual período de 2013 – já em Londrina houve queda de 3,05%.
Importante ressaltar que a "responsabilidade" não é somente da Copa. O País já enfrentava no primeiro semestre a escalada da taxa básica de juros, inflação em alta e restrições ao crédito. Além disso, a oferta de novas vagas de emprego caiu, assim como as negociações salariais não obtiveram reajuste acima da inflação. Todo esse cenário acabou por inibir o consumo. Tanto que reportagem de ontem desta FOLHA apontou que a classe C deixou de ser o principal responsável pelo crescimento das vendas de produtos de consumo rápido (alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza).
Isso significa que não tem sobrado dinheiro na conta dessas famílias o que indica o nível de endividamento. Os índices de inadimplência não estão subindo, o que mostra que as pessoas estão honrando seus compromissos financeiros, mas não estão conseguindo fazer novas compras. Tendência natural, aliás, considerando a volta da cobrança da alíquota total do Imposto sobre Produtos Industrializados sobre produtos de linha branca, por exemplo. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros), as vendas caíram entre 5% e 10% no acumulado de janeiro a junho na comparação com o primeiro semestre de 2013. Além disso, o setor alega que subiram custos de matéria-prima, além de salários de trabalhadores.
O resultado reforça a necessidade de uma mudança na política econômica a fim de incentivar o crescimento do País. Embora todas as opiniões apontem para esse sentido, por enquanto, não há sinais de mudança. Talvez, falte um pouco de pressão popular para mudar esse indicativo.

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