Cenário e ajustes na economia
2014 vai terminando com um fim melancólico para a economia. Escalada da inflação, queda da produção industrial, do desempenho do varejo e dos investimentos, aumento da taxa básica de juros e dos gastos públicos, queda na captação da poupança. Uma soma de fatores, principalmente internos contribuíram para compor o resultado e para manter o clima de pessimismo entre o empresariado.
O último aumento de 0,5 ponto percentual da Taxa Selic, ocorrido nesta semana, elevando o índice em 11,75% também sugere que não ficará estacionada nesse patamar. Mesmo com a relativa estabilização da moeda nacional, é inaceitável que ainda seja praticada uma taxa das mais altas do mundo. Todo o cenário pode ser resumido em falta de disciplina na gestão monetária e em uma política econômica sem condições de apresentar reação ao quadro de desaceleração.
O governo não se preocupou em reduzir os gastos e ajustá-los à nova arrecadação. Ao contrário, preferiu ignorar os sinais com estimativas infladas do Produto Interno Bruto e um orçamento que fugiam da realidade, o que fizeram as contas públicas ficarem "no vermelho". Manobras fiscais só contribuíram para que o governo perdesse em credibilidade, tanto interna quanto externamente, uma vez que o Brasil foi rebaixado por agências de classificação de riscos.
É importante que fique claro que a nova equipe econômica, com os anunciados ajustes, e até mesmo o aumento da Taxa Selic não serão suficientes para melhorar o desempenho econômico. O governo precisa dar transparência aos programas e projetos até mesmo para resgatar a credibilidade das contas públicas e voltar a ganhar confiança do empresariado. São necessárias medidas urgentes e efetivas, que fujam do modelo de estímulo ao consumo. Essa ação já deu sinais de esgotamento e não têm surtido mais efeito.





