Cenário de guerra nas escolas
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quarta-feira, 13 de março de 2019
Jovens que se armam e vão para a escola para matar. Situações que antes pareciam tão distantes do dia a dia do brasileiro começam a fazer parte das preocupações de pais, professores e autoridades da área de segurança. Nessa quarta-feira, uma nova tragédia traz à tona questões como a violência nas escolas e a flexibilização da posse de armas. Um pouco antes das 10 horas desse 13 de março de 2019, na escola Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, dois jovens armados atacaram adolescentes e funcionários na hora do intervalo, mataram oito pessoas, feriram nove e cometeram suicídio.
A lista de massacres ocorridos em escolas no Brasil inclui um ataque a um colégio de Medianeira, no Paraná, no ano passado. Dois alunos ficaram feridos. Em outubro de 2017, foram duas tragédias. Em uma delas, o vigia de uma creche na cidade de Janaúba, em Minas Gerais, ateou fogo em alunos e nele mesmo. Oito crianças e uma professora morreram. Em Goiânia, um estudante de 14 anos atirou dentro de uma escola particular e matou dois estudantes.
No ano de 2011, um homem de 23 anos atirou contra alunos em uma escola do bairro de Realengo, No Rio de Janeiro, causando a morte de 12 crianças.
Nos Estados Unidos, são vários episódios, como o de Columbine, no Colorado, em 1999, quando dois adolescentes assassinaram 13 pessoas. Ou o de Newton, em Connecticut, em 2012, quando um jovem matou 20 crianças e seis adultos em uma escola infantil.
O crime traz novamente à tona questões como a flexibilização do posse de arma de fogo, bandeira do presidente Jair Bolsonaro, que assinou decreto no início do ano alterando os critérios para concessão de armas. O deputado Capitão Augusto, do PR de São Paulo, coordenador da bancada da segurança pública da Câmara, disse que tragédias como a de Suzano poderiam ser evitadas caso "cidadãos do bem" que estivessem no local portassem armas de fogo. À FOLHA, o gerente do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, disse que o cenário de violência em Suzano reflete os índices de criminalidade no Brasil agravados pela facilitação do acesso a armas de fogo.
Não se sabe ainda o que motivou o crime na escola Raul Brasil. Testemunhas dizem que os atiradores pareciam querer vingança, outras levantam questões sobre bullying e algumas pessoas veem semelhanças com o massacre em Columbine. Mas independentemente do resultado das investigações, a reflexão precisa ser feita e a questão da violência em ambiente escolar pede uma atenção especial das famílias, educadores e especialistas em segurança. É profundamente lamentável que uma instituição de ensino vire cenário de guerra, com tantas crianças e jovens morrendo de forma trágica.



