Cem anos da imigração japonesa abrem a festa
No mesmo período em que se celebra a Semana Nacional do Migrante, chega-se à véspera da data máxima dos festejos pelo centenário da imigração japonesa no Brasil, a Imin-100. Foi em 28 de abril de 1908 que o precursor Ryo Mizuno (que já havia estado no Brasil) conseguiu juntar no porto de Kobe 781 imigrantes, que embarcaram no navio Kasato Maru, chegando a Santos em 18 de junho. Havia não só homens mas também mulheres e crianças a bordo, entre elas a menininha de colo Tomi Nakagawa.
Essa mulher, que acabou vivendo seus últimos tempos em Londrina e foi a derradeira tripulante a falecer - o que aconteceu recentemente - viveu forte e sorridente e pareceu desafiar o tempo. É ela quem dá o nome à Praça do Centenário da Imigração Japonesa, que será inaugurada em Londrina no próximo dia 22. Quando aqueles japoneses deixaram a Casa do Imigrante, onde fizeram a primeira refeição em terras brasileiras logo após o desembarque, a imensa sala do refeitório estava mais limpa do que quando a encontraram, porque eles mesmos fizeram esse trabalho. Foi a primeira boa surpresa e a demonstração de respeito e disciplina que se viria a conhecer dessa gente vinda do outro lado do mundo. Domingo, em Londrina, voluntários descendentes dos imigrantes - idosos, jovens e crianças - por um acaso histórico fizeram um mesmo mutirão de limpeza e deixaram em ordem a Praça do Centenário como uma ação simbólica para a conscientização de que o local deve sempre ser mantido limpo. Ali estará, no ato inaugural, o príncipe Naruhito, herdeiro do trono imperial e que será o sucessor do imperador Akihito.
No mesmo domingo, ao celebrar missa pelos migrantes (estes os que mudam de região dentro do próprio país), o arcebispo metropolitano Orlando Brandes falou dos benefícios do intercâmbio de culturas e disse que os 100 anos da imigração japonesa dão um toque especial a esse fato. Festejos do centenário vão se realizar em todos os pontos do Brasil onde existem descendentes de japoneses, marcadamente em São Paulo (na capital e no interior), e em Curitiba, Londrina, Maringá e Rolândia, no Paraná.
Reportagem de ontem deste Jornal mostrou um outro aspecto positivo das celebrações, que durarão vários dias a partir de amanhã: a presença já anunciada de caravanas de todas as partes, que se deslocarão para essas cidades paranaenses, cujas reservas de hotéis já estão praticamente esgotadas. É a festa maior da comunidade japonesa, nos seus 100 anos de uma história de muito trabalho e de sofrimento no início, mas oportuna para uma reverência pelo enorme legado que esses imigrantes e seus descendentes deixaram para o Brasil.





