Sequestros por telefone, fugas e outros delitos. Cidade assustada. A facilidade com que os presos têm se comunicado deixa a população em pânico. Parece que as ameaças nunca terminam. O delegado-chefe da 10 Subdivisão, Sérgio Barroso, diz que a culpa é da superlotação. Exemplo: o 4º Distrito tem capacidade para 24 pessoas, mas abriga 129. Barroso aponta várias melhorias feitas recentemente pelo governo do Estado. ''Numa escala de um a dez, melhorou em oito a questão do controle, da guarda dos presos e da prevenção, que evitou fugas''.

Delegado, até quando o senhor acha que a população vai aguentar a farra dos celulares nos presídios?
Acredito que o avanço da tecnologia é tão grande que não deve ser difícil instalar bloqueadores de celulares dentro dos presídios e das cadeias públicas. Basta que se aprove e se efetive essa lei para que esses celulares sejam bloqueados.

E por que isso ainda não aconteceu?
Não sei dizer. Penso que os investimentos devam ser feitos e têm de ser altos ou há falta de vontade política. Sinceramente não sou a pessoa mais indicada para responder esse tipo de pergunta.

Mas o abuso em Londrina está demais, não?
Não só em Londrina, mas no país todo. Há casos de celulares que entram ou por facilitação de agentes penitenciários e carcerários ou pela deficiência na revista das visitas ou ainda por pessoas que entram com celulares nas partes íntimas e, às vezes, até por conivência. A superlotação carcerária é um problema gravíssimo. É muita gente para ser revistada em dia de visita. Então, às vezes acaba passando e isso é de difícil controle.

Como é feito esse controle?
Cada distrito policial, com seu delegado e sua equipe, tem autonomia para realizar as vistorias na periodicidade que entender necessária. Tudo varia conforme a necessidade e conforme as denúncias que a gente recebe. No 2º Distrito, por exemplo, tivemos na última semana duas tentativas de fuga. Na segunda e na terça à noite tinha túnel e parede já serrados e cortados, sinal que entrou serra dentro da cadeia. Quando é feita uma revista mais detalhada, usamos o apoio do Pelotão de Choque. Os presos são colocados no pátio de sol, apenas de cueca, e nossos agentes e investigadores entram na carceragem para fazer uma revista mais completa. Em algumas oportunidades também a gente solicita o apoio dos agentes penitenciários que trabalham na Penitenciária Estadual de Londrina e que têm ajudado nesse tipo de controle. Mas é muita gente e o movimento é muito grande.

Há notícias de corrupção nos distritos policiais de Londrina?
Não tenho notícias e denúncias desse tipo de conduta, o que não quer dizer que não aconteça, é difícil presumir. Temos fiscalizado constantemente para evitar que isso aconteça. A PIC tem feito um trabalho de fiscalização, bem como a Polícia Militar, a Polícia Civil e os agentes carcerários.

Então, para o senhor, a superlotação seria a raiz dos problemas?
O volume de pessoas que entra para visitar é muito grande. A Polícia Civil de Londrina tem aguardado com grande ansiedade a inauguração do novo Centro de Detenção e Ressocialização para tirar esses presos dos distritos. Não vemos a hora, até para os policiais civis exercerem o trabalho específico da sua função, que é a investigação de crimes, embora ano passado a Secretaria de Segurança já tenha ajudado Londrina e o Paraná com a contratação de 20 auxiliares de carceragem que não tínhamos antes. Chegamos a ficar oito, nove meses sem nenhuma fuga nos distritos da cidade. Isso já ajudou, temos hoje uma qualidade de pessoal melhor em Londrina para controle de presos.

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