Recente decisão do Tribunal de Justiça do Paraná autorizou a Global Telecom a continuar instalando antenas em Londrina, onde, como algumas outras comunidades, existem pessoas preocupadas com os possíveis efeitos de viver na vizinhança de suas emissões de radiofrequência. Compreendemos essa preocupação, e nos interessamos muito pelo assunto, a ponto de estarmos constantemente fazendo verificações técnicas em nossos equipamentos e pesquisando tudo o que cientificamente se tem tratado, no Brasil e no exterior.
Afinal, além de nossas responsabilidades como profissionais registrados e como representantes da empresa, temos cuidado com nossa própria sa© úde, pois usamos o celular horas seguidas, mais que a maioria das pessoas. E, também, muitos de nós vivem também, com seus familiares, a poucos metros dessas antenas, sejam as nossas, sejam as de nossos concorrentes, ou ainda as de emissoras de rádio e de TV.
Em sua decisão, o desembargador presidente do TJ reconheceu não ser provável a conclusão do risco de grave lesão ao meio ambiente e à saúde pública alegado em Londrina, e que, como a Anatel recomenda a adoção dos limites de radiofrequência em vigor na Europa e fiscaliza sua aplicação no Brasil, pode-se concluir que as torres embargadas encontram-se dentro dos limites de radiofrequência no momento reconhecidos como toleráveis.
Nesse sentido é que queremos compartilhar resultados de um estudo feito na Dinamarca sobre a possível relação entre celulares e câncer. A Dinamarca, como sabemos, possui invejável sistema de saúde e um percentual de 66,34% no uso do telefone móvel pela população. Aqui no Brasil, onde infelizmente ainda não temos pesquisa semelhante, esse percentual é de 14% – ou seja, de cada cem pessoas, apenas 14 usam o telefone móvel.
O estudo foi realizado pela Associação Nacional de Câncer durante 13 anos, de 1982 a 1995, com base no Registro de Doenças Cancerígenas, que opera em todo o país há quase 60 anos, e abrangeu 420 mil assinantes das duas companhias que lá operam o serviço móvel de telefonia. Todos os dinamarqueses acima de 18 anos que assinaram um telefone celular no período, cerca de 15% da população adulta. Houve mais de 1 milhão de pessoas-ano de acompanhamento (média de 3,1 anos), e se considerou o aumento recente no uso de celulares por parte da população, entre 1994 e 1995.
Os resultados dessa investigação inédita não oferecem nenhum apoio à hipótese da associação entre o uso desses aparelhos e tumores no cérebro ou em glândulas salivares, leucemia e outros tipos de câncer. A pesquisa mostrou também que, dos 3.825 casos esperados, foram anotados 3.391, revelando um índice padronizado de incidência bastante reduzido.
Nenhum excedente foi observado para casos de câncer do cérebro ou do sistema nervoso. A grande redução cancerígena na Dinamarca foi atribuída à diminuição dos casos de câncer de pulmão e outros tipos, relacionados com o hábito de fumar. Também se verificou que o número de tumores no cérebro e sistema nervoso, leucemia e tumores de glândulas salivares, conforme o interesse específico da pesquisa, estava bastante próximo do esperado com base nas taxas de incidência da população.
Coordenado por Christoffer Johansen, o estudo, do qual temos tradução juramentada disponível, atestou ainda que as possíveis diferenças sociais e o hábito de fumar entre os usuários e a população em geral não deveriam afetar os resultados para câncer do cérebro, glândulas salivares e leucemia, casos que não estão associados fortemente ao tabagismo.
Assim, não há evidências claras de tendência estatística significativa sobre categorias de duração de uso de telefone celular ou latência para os casos de câncer de interesse da pesquisa. O dado invalida a tese da possível associação entre a exposição a celulares e o risco de câncer, como resultado dos sinais de radiofrequência transmitidos e recebidos por telefones celulares e suas estações radiobase (mais conhecidas aqui como antenas ou torres), numa faixa que repousa nas microondas do espectro eletromagnético.
Johansen comentou, a propósito, que, devido ao fato de que a ‘‘radiação de radiofrequência não possui energia suficiente para remover elétrons dos átomos ou moléculas, é impossível que ocorra ionização’’. Trata-se, pois de radiação ‘‘não-ionizante’’, diferente daquela de frequências muito mais altas, tais como as dos raios X e gama, conhecidos pelos danos que podem causar às moléculas de DNA.
O primeiro estudo de amplitude nacional sobre a incidência do câncer relacionado com o uso de celular não oferece nenhum apoio para a associação entre a utilização desse tipo de telefone e o risco de câncer cerebral ou glandular, bem como de leucemia.
É o que têm afirmado especialistas em irradiação eletromagnética como os professores brasileiros José Thomaz Senise e Adroaldo Raizer, em artigos que também colocamos à disposição de todos.
Assim, é preciso ter cuidado com a disseminação de suspeitas e temores não fundados em verificações técnicas e científicas, porque também fazem mal à saúde e ao bem-estar das pessoas. Responsabilidade, enfim, é o que se deseja no trato dessa questão dos celulares e das antenas. Assumimos a nossa, e esperamos que os outros assumam a sua.
- SÁVIO BLOOMFIELD é vice-presidente da Global Telecom

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