Tenho acompanhado na imprensa o questionamento dos vários setores da sociedade londrinense sobre a pretensão do prefeito Nedson Micheleti de vender a empresa de telefonia Sercomtel Celular. Segundo os contrários à decisão, tal atitude contraria os próprios fundamentos do PT, partido ao qual o prefeito pertence, contrário à privatização de empresas públicas, mormente no presente momento quando ele se insurge contra a venda da Copel pelo governo do Estado. Não pertenço a nenhum partido político e, por isso, faço parte daquela maioria silenciosa que sempre aguarda as melhores decisões de nossos governantes em prol de seus governados.
No caso presente, porém, não se pode deixar de contestar aqueles que querem vislumbrar a semelhança entre as empresas Copel e Sercomtel para questionar o apoio à venda desta e contrário à daquela e, mais, sem ouvir a opinião popular sobre o assunto.
São, contudo, duas situações totalmente diversas e sem qualquer relação entre si: aqui, o que se pretende vender é uma empresa municipal, tecnicamente perfeita, é verdade, mas circunscrita a uma área de atuação restrita e em vias de se deparar com uma concorrência internacional absurda e sem precedentes, o que vai exigir do Poder Público investimentos – que, com certeza, não terá – para se manter em condições de viabilidade técnica e financeira para concorrer com as demais.
Em contrapartida, a Copel é uma empresa altamente capitalizada, forte e atuando em todo o Estado sem concorrência nem agora e nem nunca, o que lhe permite proporcionar um serviço perfeito, dado que exclusivo, e por isso, mais do que podendo, devendo permanecer nas mãos do Estado, sem nenhum risco de se desvalorizar ou perder o seu poder de investir e se sustentar. Não há, pois, contradição nas posições adotadas pelo prefeito aqui e lá.
Por outro lado, quer me parecer que a decisão de submeter-se o interesse na venda da empresa de telefonia londrinense à opinião pública é uma decisão meramente política, oriunda exclusivamente do período eleitoral que se aproxima e não de análises mais aprofundadas das condições de sobrevivência da empresa diante da citada concorrência que se avizinha.
Creio que o eleitor londrinense não tem condições de, sem paixões, opinar sobre o interesse público na venda da sua empresa de telefonia, principalmente depois do que ocorreu quando da venda dos 46% da empresa-mãe. Por certo, aqueles estudos foram feitos pela administração municipal e pela própria Sercomtel que, mais do que ninguém, tem condições de esclarecer a quem pedir, as suas condições de sobrevivência diante das empresas que estão chegando, inclusive com a instalação da Banda C.
Por isso, é importante que a decisão tomada pelo Poder Legislativo de se manter o plebiscito popular seja cumprida com a máxima urgência e com o maior esclarecimento da população quanto a possibilidade de, em futuro próximo, aquela que era motivo de orgulho para os londrinenses e, mais, que lhe poderia permitir, hoje, importantes investimentos nas áreas da educação, saúde e segurança, tornar-se apenas um sonho não concluído, que se esvaiu no tempo.
É preciso que nossas lideranças políticas esclareçam a população quanto às posições, a favor ou contra, que defendem para que se possa saber, no futuro, os responsáveis por eventuais prejuízos causados ao usuários da Sercomtel – fixa ou celular – e especialmente à população mais carente, que poderia se beneficiar dos valores arrecadados na sua venda.
Com certeza o resultado da venda da Sercomtel será, desta vez, melhor aproveitado em benefício da população londrinense.
- JOSÉ CARLOS DA ROCHA é advogado em Londrina

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