CELULAR TURBINADO - Aparelhos ganham novas funções
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de setembro de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Mais de 108 milhões de telefones celulares estão em atividade no Brasil, o que representa 57,4 aparelhos para cada 100 habitantes. Só no Paraná, são 6,1 milhões de celulares, que tendem a ficar ultrapassados com a chegada da 3 geração de telefonia móvel, prevista para o final do ano nas principais capitais do país. Em entrevista à FOLHA, o mestre em Engenharia de Telecomunicações, Eduardo Tude, afirma que o acesso até dez vezes mais rápido ao serviço de banda larga será o principal atrativo desta nova tecnologia.
Quais as novidades da 3 geração de celulares?
A grande novidade é a possibilidade de navegar na internet pelo celular a uma taxa bem superior a de hoje, até mesmo na telefonia fixa. Nas redes atuais GSM, o canal de acesso de dados possui taxas que variam de 100 a 130 kbps, enquanto na 3G você consegue taxas até dez vezes maiores. Isto vai mudar o mercado. O celular vai se transformar em um modem, que você liga em qualquer computador e acessa a internet. Sem falar dos serviços no próprio celular, desde TV digital, transações bancárias, acesso a correio eletrônico, compra de músicas. É uma gama de serviços que, a medida que você tem uma conexão melhor, tornam-se mais atrativos para o usuário.
O serviço vai ser muito mais caro?
Pelo que a gente vê na Europa, são preços próximos aos cobrados na banda larga de telefonia fixa. A gente espera preços competitivos, levando em consideração a vantagem da mobilidade, do acesso em qualquer lugar. Quanto aos aparelhos, no início eles serão mais caros se comparados aos GSM, mas a tendência é de queda. Lá fora o preço já está em torno de US$ 100.
O que tende a acontecer com os aparelhos ''ultrapassados''?
Eles vão ser substituídos gradualmente. O brasileiro troca de celular, em média, a cada dois, três anos. É claro que sempre sobram resíduos, tanto que a gente ainda vê uma quantidade pequena de aparelhos analógicos em funcionamento. Mas, conforme a popularização da telefonia móvel, estes aparelhos vão sendo trocados e acabam se tornando obsoletos.
Como vai ser a implantação do sistema no Brasil?
Deve ocorrer de forma gradual. Não vamos ter do dia para a noite uma cobertura em todo o Brasil como temos com as outras tecnologias. A implantação deve começar pelas grandes capitais para depois expandir para outras regiões. Vai variar também conforme a operadora, dependendo da estrutura. A maioria delas depende de novas frequências para implantar a rede, e a Anatel vai promover um leilão destas frequências no dia 28 setembro. Algumas operadoras já estão testando as redes 3G e devem iniciar a operação comercial até o fim do ano. No ano que vem, o sistema de telefonia 3G já vai ser realidade em todo o Brasil.
Quais as novas oportunidades de negócios que vão surgir com a tecnologia 3G?
Para as operadoras, a grande oportunidade é um aumento de receita nesta área de dados, seja vendendo o acesso banda larga ou por meio de novos serviços. Empresas que oferecem serviços de valor agregado, como aplicações no celular, terão uma plataforma melhor para atender os usuários e consequentemente crescerão no mercado.
Com relação ao serviço de voz, a cobertura continua a mesma do GSM?
A 3G tem uma capacidade de redes muito maior, possibilita as operadoras fazerem planos com grande número de minutos em pacotes de voz para os clientes. Além de não ter congestionamentos, dá uma folga para as operadoras oferecerem estes pacotes que garantem uma receita mínima. Na prática, isso leva a uma queda no preço do minuto de conversa e aumenta a participação do usuário, que no Brasil registra um indicador muito baixo. O brasileiro ainda fala pouco no celular.


