Cefet: Universidade Tecnológica
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de novembro de 2002
Rubens Bueno 
É comum, quando se pretende exibir grandes conquistas da chamada Era Vargas, a citação da indústria siderúrgica e da Consolidação das Leis do Trabalho. São, de fato, dois grandes feitos, indicativos, aliás, de que aquele célebre governante já adotava as premissas necessárias para a modernização de nosso setor produtivo.
Esquece-se, no entanto, de uma providência de vulto e que, até hoje, exibe seus reflexos na sociedade brasileira. Esquece-se, repetimos, da instalação, em cada capital de Estado e, ainda, em algumas cidades também importantes, das chamadas escolas técnicas federais, uma tentativa, sem precedentes, de preparar nossa juventude para a sociedade industrial que se vinha montando e que, hoje, já responde pela décima economia industrializada do mundo.
De fato, de um país essencialmente agrícola, o que ocorria até a metade do século XX, o Brasil viu sua indústria se ir sofisticando, assenhorar-se de tecnologia de ponta, inovar, competir, progredir, enfim. E isto, impossível negar, com o respaldo daqueles educandários especializados na área tecnológica, que, em algumas regiões do país já oferecem a seus alunos ensino de nível universitário.
São assim os conhecidos Centros Federais de Educação Técnica do Paraná, com seis unidades Curitiba, Ponta Grossa, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Medianeira e Pato Branco. O trabalho desenvolvido por esses centros tem-se mostrado da maior relevância, tanto mais porque, numa época de economia globalizada, somente com uma autêntica evolução tecnológica pode o país enfrentar a dura e nem sempre leal concorrência a que estão sujeitos nossos produtos.
Daí porque desenvolvem tratativas para que possam ser transformados em autênticos centros universitários, o que lhes é garantido por lei, já que o parágrafo único do art. 52 da lei de diretrizes e bases da educação nacional permite ''a criação de universidades especializadas por campo de saber''.
Nada mais justo. Aliás, nada mais necessário. A tecnologia aí desenvolvida, estimulada pela autonomia universitária, continuará sendo, como até então, de suma valia para nosso setor produtivo, a ele levando um grau de conhecimento a cada dia mais especializado, mais evoluído, o que, desnecessário dizer, é condição sem a qual nosso parque industrial deixará de exibir a pujança de agora, podemos, ademais disso, projetar novas e maiores conquistas.
RUBENS BUENO é deputado federal


