Os números da inadimplência em Londrina indicam uma melhora, mas o quadro ainda inspira prudência. Em outubro, o número de consumidores que entraram para a lista do SPC/ACIL caiu expressivos 49,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. O dado mostra que as famílias têm buscado reorganizar suas finanças, cortando gastos e evitando novas dívidas.

Apesar disso, a recuperação permanece lenta: o número de consumidores que conseguiram negociar e sair do cadastro de inadimplentes caiu mais de 50% no mesmo período. A queda nas inclusões é positiva, mas a dificuldade em quitar débitos revela uma economia que ainda opera sob forte restrição de crédito e renda comprimida.

Esse cenário é consequência direta do elevado custo do dinheiro. Com a taxa básica de juros estável em 15% ao ano — o nível mais alto da história —, o crédito continua caro e seletivo. As prestações pesam no orçamento e o consumo parcelado, especialmente de bens duráveis, segue retraído.


icon-aspas O desafio é macroeconômico, mas os efeitos se manifestam na ponta, no balcão de cada loja, na decisão de cada consumidor e na expectativa de cada empresário

O efeito é sentido com força no comércio, que depende do crédito para girar o caixa e garantir liquidez, sobretudo nesta reta final do ano, quando as datas comemorativas concentram grande parte do faturamento. A capacidade de tomar crédito serve como termômetro da confiança e como combustível essencial para o crescimento.

Com a Black Friday e o Natal no horizonte, o comércio londrinense enfrenta o desafio de equilibrar otimismo e realismo. As consultas ao SPC cresceram 6,45% em outubro, indicando um movimento inicial de retomada das vendas a prazo. Ainda assim, o consumidor segue cauteloso — e com razão. O endividamento excessivo dos últimos anos deixou marcas profundas, e a renda real das famílias ainda não se recuperou.

O desafio é macroeconômico, mas os efeitos se manifestam na ponta, no balcão de cada loja, na decisão de cada consumidor e na expectativa de cada empresário. A queda da inadimplência em Londrina é um bom sinal, mas a economia local ainda espera uma melhoria mais consistente. Se o crédito continuar travado, a recuperação do consumo e da renda tende a permanecer em ritmo lento.

Em um cenário de juros elevados, o equilíbrio entre prudência e estímulo será decisivo.

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