Cautela com uso de banco e cartão
A Associação Brasileira das Associações de Bancos afirma que é pequeno o número de reclamações, pelos clientes, quanto ao atendimento bancário. Deve haver verdade nisso porque o sistema busca ganhar clientes, em face da concorrência, e a prestação de bons serviços é um dos fortes argumentos. Apesar, ainda, do descaso para com os correntistas obrigados a enfrentar longas filas, por causa dos poucos caixas (e esta é uma indisfarçável medida de economia, à custa da perda de tempo e do cansaço de quem precisa ficar nessa espera), os bancos naturalmente atendem bem. Mas essa aparente preocupação com a clientela é apenas a luta por disputar a freguesia, como qualquer negócio. Não é disto que os usuários de bancos se queixam e, sim, dos juros exorbitantes e das taxas que aparecem em sua conta-corrente e que lhe subtraem elevada soma, em doses homeopáticas. Como as pessoas precisam do banco para uma infinidade de operações, já perderam a sensibilidade para a reclamação quanto aos abusos, então tudo aparenta ir muito bem na relação banco e cliente, mas a verdade não é esta.
Parece ser obrigatório receber e pagar tudo em banco por exemplo, o recebimento da aposentadoria, que obriga à manutenção de uma conta-corrente; as tarifas públicas, impostos, encargos, inclusive muitos da área privada, em forma de carnês e então o cidadão fica atrelado ao banco e dependente dele em inúmeras coisas. Se isso traz facilidades, também cria compromissos indesejados, porque uma conta em estabelecimento bancário é um portal aberto para a entrada dos mais estranhos débitos. E, com isso, os bancos fazem a festa, se não bastasse seu lucros astronômicos à custa da depauperação da economia de cidadãos, empresas e instituições. A intensificação, por exemplo, do uso do cartão de crédito que é uma prática salutar em países de economia estabilizada e uma ferramenta de uso fácil e mais seguro é no entanto um tormento para os brasileiros, porque cair em suas malhas é abrir um enorme escoadouro das já parcas economias. Os juros são altíssimos, e se houver atraso em cobrir os valores utilizados, melhor é entregar o pescoço ou começar a caminhada no rumo da bancarrota.
Não é, pois, na questão do atendimento que está o problema e, sim, no custo financeiro representado pelo fato de ser cliente de banco. O ''privilégio'' de ser contemplado com elevado limite no cheque especial é um engodo, pois a pessoa passa a dispor de dinheiro que não lhe pertence e pelo qual paga juros de 8%, ou mais, por mês, e isto arrasa qualquer um. O sistema é perverso, não faz caridade, não concede perdões e não facilita as coisas. A carinhosa sedução da propaganda é uma armadilha. A dinâmica do consumo alavanca a economia, mas é milenar o ensinamento de que não se deve gastar além do ganho e não cair em saldo negativo de banco e operadores de cartões de crédito. Há que trancar com ferrolho a porta dessa imprudência.
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