Em seu último artigo escrito na Folha de Londrina "Os pilares de uma sociedade civilizada", o padre Manuel Joaquim, da paróquia Sant’Ana, da qual faço parte, faz uma crítica a uma parte da sociedade (incluindo católicos) que, segundo o sacerdote, estaria injustamente atacando a Igreja por esta estar apenas cumprindo o seu dever.

Com o devido respeito, discordo de meu pároco. Em primeiro lugar, importante destacar que as manifestações dos católicos descontentes não tiveram como alvo a Igreja, mas o arcebispo de Londrina, Dom Geremias Steinmetz, pois este apoiou a greve geral convocada por grupos e partidos políticos de matrizes marxistas. Digo mais: as manifestações dos católicos visaram, antes de tudo, defender a Igreja Católica.

Desde os primeiros movimentos dos grupos revolucionários comunistas no século 19, a Igreja se posicionou de forma muito contundente contra o comunismo e o socialismo, especialmente por partirem de bases materialistas (isto é, que negam a transcendência) e por defenderem a ideia de luta de classes (nós contra eles), que é o contrário da verdadeira caridade cristã.

Aqui neste pequeno texto não há espaço para transcrever as inúmeras páginas que a Igreja produziu para demonstrar que o cristianismo e o marxismo são inconciliáveis. Nesse sentido nos admoestaram todos os Papas do século passado e do presente, incluindo o Papa Francisco. Mas reservo-me a citar um trecho da Encíclica “Quadragesimo Anno”, do Papa Pio XI: “O socialismo quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como ‘ação’, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos, não pode conciliar-se com a doutrina católica; pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã”.

Para confirmar os ensinamentos da Santa Mãe Igreja, em 1917 (providencialmente no ano da Revolução Comunista na Rússia), nossa Mãe do Céu apareceu para três pobres pastorinhos em Fátima, Portugal, trazendo uma Mensagem de conversão e penitência ao mundo, mas enfatizando que, se seu pedido não fosse atendido, a Rússia espalharia seus erros no mundo, isto é, o comunismo e seus erros seriam difundidos pelas nações.

Diante do Magistério da Igreja, portanto, o que os católicos buscaram em suas críticas é que a Arquidiocese de Londrina não deixe para o segundo plano a preocupação com a salvação das almas para apoiar ações de grupos marxistas que defendem que nada mais existe do que este mundo material e que, historicamente, ao tomarem o poder, perseguiram a fé cristã.

O que os católicos fazem ao criticar a postura do arcebispo é simplesmente defender que a Igreja em Londrina se volte para a sua finalidade, que é trazer as almas para Deus, obedecendo ao mandamento de seu Mestre: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado” (Mc 16,15-16).

Foi dessa forma que a Igreja, visando a salvação eterna das pessoas, com caridade tratou dos pobres, dos doentes, das crianças e de todos aqueles mais vulneráveis. E o fez fundando hospitais, orfanatos, escolas, asilos e diversas outras instituições que fundamentam a nossa civilização ocidental (que, por sinal, é objeto de escárnio dos marxistas).

Por fim, posso apenas concluir que, longe de ameaçar a existência de uma sociedade civilizada, a firme defesa dos ensinamentos da Igreja Católica por parte de seus fiéis robustece os pilares da democracia, pois demonstra que uma visão de mundo conservadora está aos poucos ganhando espaço diante dos hegemônicos discursos simpatizantes ao marxismo e ao progressismo, o que favorece a pluralidade do debate.

VITOR HUGO NICASTRO HONESKO, promotor de justiça e membro da União dos Juristas Católicos de Londrina.

mockup