O catarinense de Seara, José Fritsch, 48 anos, ex-prefeito de Chapecó e candidato (PT) derrotado ao governo de Santa Catarina no último pleito, vem do Estado que concentra 60% da pesca nacional. Só na região de Itajaí, por exemplo, encontra-se o maior pólo pesqueiro do País, que conta com 530 barcos e um potencial de geração de 20 mil empregos diretos. De acordo com entrevista concedida ao jornal ''A Tribuna'', de Santos, logo após sua indicação como Secretário Nacional do setor, Fritsch declarou que ''a nova Secretaria transformará a pesca em uma das peças centrais da política econômica do Governo Lula''. Acrescentou ainda que, com a implantação da Secretaria, ''o setor pesqueiro estará centralizado, de forma a permitir a criação de políticas para o aumento das exportações e do consumo interno''.
Dirigentes petistas de Santa Catarina afirmaram que ''a negligência dos últimos governos em relação ao setor é evidente''. Em sua argumentação, apontam o fato de que a maior parte das atividades da pesca está, atualmente, subordinada a um departamento secundário dentro do Ministério da Agricultura, enquanto outras vinculam-se, de forma dispersa, à Marinha, ao Meio Ambiente e à Indústria e Comércio. O último órgão que agregava as várias atividades do setor, a Superintendência de Desenvolvimento da Pesca (Sudepe), foi extinto há 17 anos.
A deputada estadual (PT) Mariângela Duarte, que assume o cargo de deputada federal na esteira da indicação de José Dirceu (PT) para a Casa Civil do governo, é autora do Código Estadual de Pesca (SP), que prevê incentivos à pesquisa científica, criação de escolas de pesca e registro geral para os pescadores. Para ela, com as novas políticas do setor, que incluem não só a criação da Secretaria, como a aprovação do Código Nacional de Pesca, ''que tramita há anos no Congresso'', será possível resgatar uma atividade que, ''nos últimos 20 anos, teve seu potencial reduzido em 70%''.
Para alavancar o desenvolvimento da área, os especialistas reivindicam principalmente o fortalecimento da indústria nacional de pesca oceânica principal responsável pelo substancial aumento das exportações registrado nos últimos dois anos. Para isso, contam com a construção de barcos mais modernos e adequados, estimando que esse incentivo possa gerar até 65 mil empregos em todo o País, 30% dos quais só na Baixada Santista.

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