Casuísmo das empresas aéreas
Com a redução de vôos da Varig para o exterior, o que as demais companhias aéreas fizeram foi manter o preço cheio da passagem para essas rotas. Um casuísmo, embora uma lei de mercado. Os barateamentos e outras promoções foram suspensos e instalou-se o oportunismo de aproveitar esse filão, originado do afunilamento de passageiros. O mal que tem afetado a lucratividade do transporte aéreo denomina-se assentos vazios. E como, momentaneamente por graça da derrocada da co-irmã gaúcha os aviões das demais empresas passaram a voar cheios, as bondades aos passageiros foram suspensas e as tarifas voltaram a ser aquelas infladas. Dupla vantagem, embora tangendo a freguesia: aeronaves lotadas e o preço na altitude máxima. Os que agora viajam, a alto custo, certamente o fazem por razão de necessidade, porque muitos turistas aqueles regulares e os potenciais devem estar esperando momentos melhores. Se as companhias adotassem tarifas atraentes e também zelassem pela economia dos clientes, dos quais dependem nas temporadas baixas e nas altas, com certeza suas aeronaves voariam com ocupação plena e seria afastado o fantasma do prejuízo, que tem levado empresas a encerrar atividades, no Brasil e em outros países. Vôos fretados, de passageiros e cargas, são lucrativos, pela simples razão de operarem com lotação total. É o caso em que não há risco, pelo sábio cálculo de custo e receita. A passagem aérea, embora o elevado custo operacional das empresas de aviação, poderiam ser barateadas e na contrapartida os vôos estariam mais recheados de passageiros. Porque um assento vazio é prejuízo certo e irrecuperável. As promoções deveriam ser um ato normal e constante, como rota salvadora das companhias, que passariam a voar em céu-de-brigadeiro, sem turbulência e com mais estabilidade econômica. Só nome, tradição e bom atendimento terrestre e de bordo não dão sustentação a uma empresa aérea, mas sim uma boa política de gestão e tarifas sedutoras que induzam o cliente usual a utilizar-se mais frequentemente desse meio de transporte e atrairiam o passageiro potencial, porque viajar em condições de luxo e conforto, que o avião proporciona, é anseio da maioria dos viajantes. Com preço da passagem mais baixo, os aviões voariam com mais passageiros e a própria Varig não precisaria ter cortado os seus 2.000 assentos/dia para a Europa. Mas com tarifas proibitivas, tanto para os vôos domésticos portanto fora da área do dólar como para os transnacionais, todos perdem: os usuários, as companhias, o corpo de funcionários sob o risco de demissão, todo o sistema vinculado e a economia em geral.





