Mais de R$ 140 milhões investidos, um título nacional e dirigentes envolvidos no maior caso de lavagem de dinheiro do futebol brasileiro. A parceria entre MSI e Corinthians deixou o campo esportivo para entrar no campo judicial, principalmente depois que escutas telefônicas colocaram em dúvida o campeonato consquistado em 2005. A mancha negra na história do clube é tema do livro ''Dossiê Corinthians - Da Máfia do Apito ao Tetracampeonato Alvinegro'', lançado pela editora Pillares. Um dos autores da obra, o jornalista Rafael Andrade Jardim, falou à FOLHA sobre a corrupção no futebol brasileiro e a crise de um dos clubes mais populares do país.

A corrupção do futebol brasileiro está fora de controle ou ainda há tempo de moralizar?
Tem como controlar, começando pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fazendo uma fiscalização mais apurada. O Edílson Pereira de Carvalho, protagonista na Máfia do Apito que beneficiou o Corinthians em 2005, nem poderia ser árbitro porque não tinha a escolaridade necessária para atuar dentro de campo. Também passa pela participação da Polícia Federal dentro dos clubes, como está sendo feito agora com o Corinthians. Isso tem que ser levado para todos os clubes, uma espécie de triagem para que não se repita e nós tenhamos um futebol mais às claras no país.

O senhor vê dirigentes indo para a cadeia?
Este trabalho da PF sendo levado a sério, é inevitável que daqui alguns meses estes dirigentes corruptos acabem presos. Não acredito em pizza e sou otimista de que iremos acompanhar novas denúncias e prisões. Este caso do Corinthians deve abrir a porta para que haja uma faxina no futebol brasileiro.

Os clubes brasileiros arrecadam fortunas vendendo jogadores para o exterior e ao mesmo tempo estão sempre em dívida com o INSS e procurando parcerias para sair do buraco. O que está errado?
Tem uma série de fatores, mas o principal é a má gestão dos clubes. Falta planejamento, as categorias de base são mal aproveitadas. Os dirigentes vendem o jogador para fora, o dinheiro chega ao clube, mas é muito mal administrado. Em primeiro lugar, é preciso investir em novos talentos, para que surja outro Robinho ou Kaká. Um bom exemplo é o São Paulo, que acaba de inaugurar o Centro de Treinamento de Cotia, referência para formação das categorias de base, com dinheiro da venda de jogadores formados pelo próprio clube. Futebol tem que ser encarado como empresa. Tem que vender os produtos, que no caso são os jogadores, ter lucro e fazer novos investimentos para ter mais lucro.

Com relação ao Corinthians, o senhor acha que o clube deve perder o título brasileiro de 2005?
O próprio presidente do clube assume e usa a expressão ''roubado''. Não sei o que falta mais para contestarem esse título na Justiça. É a mesma coisa pegar uma conversa telefônica do Renan Calheiros dizendo que escapou da cassação porque a votação foi roubada. Tenho esperança de que o título do Brasileiro de 2005 seja cassado e entregue ao verdadeiro campeão, o Internacional, para o bem do nosso futebol.

Existe o risco do time ser rebaixado?
O que pode acontecer é se confirmar a suspeita de que no ano seguinte a MSI tenha feito alguma manobra para o Corinthians não cair para a segunda divisão. Aí sim acredito em rebaixamento. Mas o clube deve cair ainda este ano, dentro de campo. A segunda divisão é um mal necessário para o Corinthians. O time se afasta da mídia, ganha tempo para se planejar, revelar novos talentos e depois volta com mais força para a primeira divisão, a exemplo do que aconteceu com o Grêmio, que chegou à final da Libertadores.

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