Caso Bancoop é novo desafio
'Deputado tucano compara PT com Maluf, no caso Bancoop', diz a notícia da Agência Estado que deve ganhar espaço nos jornais de hoje. Diante da denúncia da revista Veja, lideranças petistas teriam criticado o Ministério Público (MP) que investiga o caso. O assunto, matéria de capa da Veja neste domingo, é o desvio de dinheiro da cooperativa dos bancários de São Paulo (Bancoop) para o caixa 2 da campanha de Lula à Presidência da República, em 2002.
O deputado José Aníbal (PSDB), que pega carona no assunto para se promover pois é pre-candidato ao Senado, nem se refere ao desvio de dinheiro, que, em sí já é um fato grave. Ele fala de algo preocupante e que ganha outra conotação. E qual é o fato? Bem, verdade ou não (um deputado da oposição é sempre suspeito), a comparação com Maluf é para acabar com a carreira de qualquer um. É para desmoralizar o indivíduo. Não adianta dizer que o governo do PT fez pior que Maluf, como querem impingir. O fato é que Maluf está estigmatizado e qualquer comparação é mais forte - e faz mais estrago eleitoral - do que o objeto da denúncia, no caso o desvio do dinheiro dos cooperados.
Se alguém do PT - ou outra sigla, ou mesmo um governante - critica a autoridade do Ministério Público que está agindo num caso de desvio, ou outra irregularidade, a conotoção pode ir além de uma simples crítica. Tal atitude denota ameaça, por se tratar do partido ou autoridade que está no poder. Isto chegou a ser aventado quando Requião, em outras épocas, criticava o Judiciário. Quem critica expõe contrariedade; quem é contra trata logo de neutralizar o que não lhe convém.
Não sem razão, reclamar da autoridade que está agindo não é sensato - quando a cobrança da sociedade flui em sentido oposto. A sociedade, independente de quem é o alvo da investigação, quer que se apure e se faça justiça. Também porque a maior vergonha do Brasil é impunidade, fruto do comodismo do agente constituído, que reluta em sair da zona de conforto. Se o PT não gosta que se apure, uma coisa é certa: o povo gosta. E é ele quem paga o salário dos promotores. Como se não bastasse o fato de o assunto permanecer dormente desde 2002. O que preocupa mesmo é um possível esforço para blindar o secretário de finanças do PT, João Vaccari Neto.





