Casamento entre homossexuais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de janeiro de 2003
Joselito Tanios Hajjar 
Sem a presença do tempero religioso dogmático, gostaria de falar sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A minha preocupação quanto à
legalização do casamento homossexual é simples e objetiva. Em todo o processo de conquista de direitos, os objetivos nunca são acabados e sempre haverá o que reivindicar. Hoje querem o direito ao casamento. Amanhã será o direito a adotar filhos e registrá-los com os nomes dos pais homossexuais.
Nesse quesito, a dita liberdade que parecia estar completa entre os dois contratantes do matrimônio homossexual começa a interferir na liberdade de um terceiro. Quem adotou sabe. Adoção, assim como filhos, é uma caixa de surpresa. Imagine se alguém poderia prever que àquela moça bem nascida e aparentemente feliz pudesse matar os pais à pauladas? Ou os garotos de classe média que atearam fogo no índio Pataxó? Quando um filho adotivo fica recalcado, normalmente fabrica alguns pensamentos negativistas. Se ganha um presente de aniversário mais simples daquele esperado, pensa: ''Só porque sou adotivo''.
A mente do ser humano é um armário constituído de recalques produzidos pela ação contínua do ego em divergência com o super ego. Tais recalques resultam desde pequenos tiques nervosos a desvios comportamentais. Eu tenho os meus e todos têm os seus. Disso ninguém escapa. Ocorre que, na dosagem mediana da convivência familiar e social, esses recalques são administráveis. Quando as doses de convivência são fora dos padrões aceitos pelo corpo social, os recalques tendem a caminhar na mesma proporção gerando conflitos de personalidade perigosíssimos. Conheço diversas pessoas que odeiam jogo ou álcool porque viu o pai se perder na mesa de baralho ou no copo.
Imagine então o estado emocional de uma pessoa que vai o tempo todo ser rechaçado na sua vida social porque no seu registro de nascimento e documento de identidade consta filiação de dois homens ou de duas mulheres. Você, leitor, encararia com naturalidade essa situação? Apresentaria-os pra o namorado ou namorada? Seria tolerante perante as piadinhas de seus colegas de escola? Talvez, no auge do equilíbrio emocional que a sua existência proporcionou, diria que encararia com naturalidade. Eu afirmo que não, até porque sua personalidade seria outra devido a tais eventos.
Nota-se então que àquele ato de aparente liberdade de preferência sexual começa a interferir numa vida inteira de um terceiro que nada tem haver com a dita escolha. Não será raro ver filhos adotados por homossexuais matando os próprios pais por vingança de ter-lhes acorrentado nessa triste existência disforme. Dirão eles: ''Preferia ter sido abandonado num orfanato, ou mesmo morrido''. Não tenho um átomo de dúvidas sobre isso.
A vida em sociedade alimenta a ditadura da maioria e essa maioria define como padrão moral pessoas serem filhos de um homem e uma mulher, netos da vovó e do vovô, sobrinhos do titio e da titia. Quer as minorias concordem ou não.
JOSELITO TANIOS HAJJAR é administrador de empresas em Londrina


