São Luís - Numa ação que envolveu 50 homens e está sendo acusada de ser política, a Polícia Militar (PM) do Maranhão cercou ontem a casa onde funcionava o serviço de inteligência da Polícia Federal em São Luís. A PM procurava indícios de ‘‘atividade criminosa’’.
A PM é subordinada à governadora Roseana Sarney (PFL), que vem acusando os órgãos de inteligência do governo federal de espionagem e de armar uma conspiração que levou à apreensão de R$ 1,34 milhão que seriam destinados à sua campanha presidencial na sede da empresa Lunus, de sua propriedade.
Roseana negou por meio de sua assessoria saber sobre a operação. Até o fechamento desta edição, a autoria do pedido de busca à Justiça era desconhecida.
A ação ocorreu às 17h30, quando 50 PMs do GOE (Grupo de Operações Especiais), alguns encapuzados, chegaram à casa acompanhados de dois oficiais de Justiça. A casa, de dois andares, fica no bairro de classe média Cohajape. Os oficiais traziam um mandado de busca e apreensão e disseram que iriam verificar se lá se cometia ‘‘alguma atividade criminosa’’. Havia dois agentes da PF no local. Eles acionaram a superintendência do órgão, que imediatamente deslocou para o local cinco carros com sirene ligada e oito delegados com armas na mão. O superintendente Augusto Serra Pinto também apareceu.
Houve bate-boca entre alguns delegados e os oficiais de Justiça. Os policiais acabaram não entrando na casa – apenas os oficiais de Justiça, que, segundo Pinto, saíram sem levar nada do local.
Questionado se haveria equipamentos de escuta na casa, o superintendente afirmou: ‘‘Há serviço de inteligência, o que abrange uma grande gama de atividades, inclusive de monitoramento. A PF não faz escuta clandestina nem arapongagem’’.
Perguntado especificamente sobre o caso da Lunus, Pinto negou ter espionado a empresa. ‘‘Não tem nada contra o governo do Estado, contra a pessoa da governadora, contra a Lunus, porque não fizemos escuta neste caso.’’ Desde que a PF apreendeu documentos e dinheiro na sede da Lunus, a família Sarney trabalha com a hipótese de estar sendo monitorada pelo governo, em ação visando favorecer o pré-candidato José Serra (PSDB) -que nega a acusação.

mockup