Cartolas no palanque
Para alguns, Felipão teria sido fiel ao estilo Felipão ao declarar, furioso, quarta-feira em Fortaleza, que cumpria o seu dever de subordinado ao fazer o jogo de Ricardo Teixeira, o poderoso chefão da Confederação Brasileira de Futebol, participando da festa armada para promover o candidato à Presidência, Ciro Gomes.
Com as garras afiadas e já 'recuperado' da fase light do pós-pentacampeonato, Felipão respondeu ao seu velho estilo azedo a um jornalista: ''Se teu chefe te mandasse fazer uma redação, você não faria?''
Talvez o resultado adverso da partida tenha arranhado o humor do treinador. Sem querer, o Paraguai deu uma forcinha para Lula e José Serra, carimbando a faixa do penta. Declarações contrariadas de alguns jogadores em participar do circo eleitoral, entregando camisas da seleção ao presidenciável e sua namorada, Patrícia Pillar, também podem ter desagradado o patriarca da família Scolari. Afinal, os meninos se comportaram bem até aqui.
De qualquer modo, quem admira o estilo intempestivo e corajoso do treinador gaúcho, que contrariou milhões de torcedores e fez valer a sua opinião quando armou a seleção campeã, pode ter se decepcionado com tamanha subserviência. Afinal, Felipão não mostrou obediência quando barrou Romário à Copa do Mundo, a despeito do que queria a sua chefia. E se deu bem.
Quanto a Ciro, que comemorou um gol anulado do Brasil vestindo a camisa verde-amarela com o seu número de campanha o 23 pode ter saído do episódio com um ganho quase insignificante: o voto, declarado, de Ricardo Teixeira. O Brasil perdeu mau presságio, talvez? e a maioria dos jogadores que participaram da festa vive no exterior, não vota no Brasil. É como gostava de dizer Nelson Rodrigues ... sem sorte nessa vida não se chupa nem um picolé.
Ruth Meira





