Cartões pedem autorregulamentação
Os cartões de crédito são o meio de pagamento mais prático. De tão funcionais estimulam gastos, às vezes, desnecessários. Há quem diga que são suscetíveis a fraudes e, por isso, não são seguros, ou não totalmente seguros. Mas o fato é que o dinheiro de plástico, como é chamado no comércio, é a moeda de troca disponível e o consumidor não está disposto a abrir mão dessa praticidade. A maioria dos consumidores não se imagina preechendo cheques e cruzando cheques no velho sistema em que o prazer era caprichar na assinatura.
Estão de tal forma consolidados os cartões que os bancos aproveitam e abusam das taxas. Tanto é verdade que muitos segmentos do varejo relutam em o adotar. No início até os postos de gasolina que, em geral, têm um grande giro, resistiram. Entre os lojistas a principal queixa contra os cartões é em relação a prazos e taxas estipuladas pelas empresas que fornecem os cartões. As lojas, assim como os postos de combustíveis, entendem que pela grande escala da movimentação financeira é possível sim conceder taxas e prazos mais atrativos (para o lojista). Hoje, pelo posicionamento dessas empresas, o pequeno varejista não tem condição de negociar.
Altas taxas e falta de orientação e transparência são temas de críticas às administradoras de cartões. O assunto está sendo tratado pela Frente Parlamentar Mista do Comércio Varejista que vai engrossar a pressão contra a indústria de cartões de crédito. A frente pressiona o setor a trabalhar com mais transparência. Em outras palavras, o que se quer é ter a possibilidade de diferenciar preços em pagamentos à vista ou com cartão, um procedimento que já foi defendido pelo Banco Central e as secretarias de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, e a do Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, em relatório sobre os cartões de crédito divulgado dias atrás.
A intenção das entidades varejistas e Frente Parlamentar do Comércio Varejista é que o consumidor tenha a opção de saber quanto paga a mais com a compra feita pelo cartão, pois hoje os preços estão todos embutidos. Outro argumento é que atualmente é proibido aplicar a diferenciação. Os cartões precisam do que o varejo chama de autorregulamentação e regras.





