Po­de ter acon­te­ci­do com vo­cê, lei­tor. Sem che­que e sem di­nhei­ro no bol­so, o con­su­mi­dor vai pa­gar a con­ta e ou­ve da mo­ça do cai­xa, ­meio de­sa­pon­ta­da: ‘‘Não tra­ba­lha­mos com ­cartões’’. A res­pos­ta sur­preen­de por­que es­tá fi­can­do im­pos­sí­vel dis­pen­sar o cha­ma­do di­nhei­ro plás­ti­co.
  Com ra­zão, o pe­que­no co­mér­cio re­lu­ta em ade­rir aos prá­ti­cos car­tões mag­né­ti­cos por­que as ta­xas abo­ca­nham par­te da sua mar­gem de lu­cro. Não é só is­so, há tam­bém o pra­zo e ex­clu­si­vi­da­de das má­qui­nas. Es­ta FO­LHA ou­viu lo­jis­tas e a con­clu­são é que pou­cos acre­di­tam nu­ma so­lu­ção rá­pi­da. Ho­je, as ta­xas co­bra­das das ope­ra­do­ras de car­tões va­riam en­tre 3% e 4% e o re­pas­se de­mo­ra em mé­dia 40 ­dias, um pra­zo elás­ti­co pa­ra o pe­que­no gi­ro.
  ­Além das ta­xas e da de­mo­ra no pa­ga­men­to, tem o gar­ga­lo do que se po­de cha­mar de não-com­par­ti­lha­men­to dos ter­mi­nais exi­gin­do que o co­mer­cian­te pa­gue alu­guel de má­qui­nas de di­fe­ren­tes em­pre­sas ou ban­dei­ras. ­Além da par­ti­lha dos ter­mi­nais se­ria ne­ces­sá­rio que hou­ves­se au­to­ri­za­ção pa­ra a aber­tu­ra de no­vas ope­ra­do­ras. Apa­ren­te­men­te não há ins­tru­men­to le­gal pa­ra evi­tar a cha­ma­da ver­ti­ca­li­za­ção do cre­den­cia­men­to de em­pre­sas. A es­ta al­tu­ra a bri­ga se­rá com ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras.
  As di­fi­cul­da­des, pe­lo me­nos em par­te, po­dem ter­mi­nar em ju­lho de 2010. As dis­cus­sões que ocor­rem na Câ­ma­ra Fe­de­ral ace­nam com pe­lo me­nos uma pos­si­bi­li­da­de con­cre­ta. ­Qual? A de que as má­qui­nas (de dé­bi­to e cré­di­to) po­de­rão ser uti­li­za­das por to­do os car­tões mag­né­ti­cos.
  O Sin­di­ca­to das Em­pre­sas de Con­sul­to­ria (Ses­cap) tra­tou do as­sun­to nes­te sá­ba­do (ca­der­no de Eco­no­mia). Dei­xa cla­ro que a obs­tru­ção ao uso do car­tão - e ­suas fa­ci­li­da­des - pe­lo pe­que­no co­mér­cio es­tá no mo­no­pó­lio de ope­ra­do­ras de car­tões.
  As al­ter­na­ti­vas não po­dem de­mo­rar. O Ses­cap co­lo­ca o di­le­ma dos co­mer­cian­tes dian­te da se­guin­te rea­li­da­de: pre­ci­sam fa­ci­li­tar a vi­da do con­su­mi­dor; têm que evi­tar o di­nhei­ro em es­pé­cie; têm que pre­ca­ver dos che­ques sem fun­dos. En­fim, por uma sé­rie de ra­zões, o lo­jis­ta, o açou­gue da es­qui­na, a pa­da­ria e o do­no do pos­to de ga­so­li­na que­rem op­tar pe­los car­tões. Ho­je o co­mer­cian­te es­tá en­tre a) pa­gar uma ta­xa al­ta pa­ra as ope­ra­do­ras do car­tão e ain­da es­pe­rar 40 ­dias, b) re­ce­ber em di­nhei­ro e cor­rer o ris­co de ser as­sal­ta­do, c) acei­tar che­que e ­cair na mão do vi­ga­ris­ta.
  Tan­tas li­mi­ta­ções, nem pa­re­ce que os car­tões mo­vi­men­tam a por­ten­to­sa ci­fra de
R$ 375,4 bi­lhões e que a sim­ples re­du­ção das ta­xas po­de ele­var es­sa con­ta em 20% em um ano. O ca­mi­nho tem que ser o da con­cor­rên­cia, ain­da que se­ja um pro­ces­so de­mo­ra­do.

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