Cartões de crédito: mudanças à vista
O governo federal está estudando novas regras para os cartões de crédito e débito. Mudanças estão sendo discutidas a portas fechadas pelo Banco Central e os ministérios da Fazenda e da Justiça e sabe-se que um dos pontos mais polêmicos seria a possibilidade dos comerciantes voltarem a cobrar dos clientes o valor das taxas administrativas das operadoras. Na prática, significa que as lojas poderão praticar um valor diferenciado (mais caro) para pessoas que pagarem com o cartão do que seria cobrado se a conta fosse paga com dinheiro ou cheque. Atualmente, Procons de todos o País orientam que o preço cobrado à vista deve ser o mesmo, independente da forma de pagamento.
A aplicação de preço diferenciado para quem paga com dinheiro e cartão sempre foi alvo de pressão das entidades que representam o varejo. Porém, mudanças nessa relação devem ser muito bem estudadas e justificadas pelo governo federal. No início da década de 2000, o próprio governo orientou os Procons do Brasil inteiro a inibirem a prática da cobrança diferenciada e motivou o uso dos cartões de crédito e débito pela população. Mudanças repentinas podem ser prejudiciais para consumidor, que há mais de 10 anos se habituou com a praticidade do serviço e com a segurança que ele representa.
Os cartões têm vantagens para o consumidor e também para o lojista. No caso do cliente, é sempre mais seguro carregar na carteira o cartão do que dinheiro vivo ou talões de cheque. Quanto aos comerciantes, vale lembrar que a modalidade tirou deles o risco da inadimplência, transferindo o problema para a operadora de cartões.
O lado positivo desse debate é a possibilidade do governo federal promover uma nova regulamentação do mercado, talvez aumentando a concorrência do setor e revendo as taxas cobradas pelas operadoras, hoje em torno de 5% do valor da compra.





