O segmento de combustíveis sempre foi problemático em Londrina. Além das inúmeras queixas de consumidores sobre o alinhamento de preços, frequentemente os postos são alvo de fiscalizações do Ministério Público, Procon, Agência Nacional do Petróleo, entre outros órgãos, para averiguação de denúncias como formação de cartel, sonegação de impostos, adulteração de combustíveis, falta de licenciamento ambiental, entre vários outros itens.
No entanto, uma notícia pode contribuir para moralizar esse setor. Ontem o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou 12 postos da Região Metropolitana de Londrina e oito pessoas físicas pela prática de cartel na revenda de combustível. No total, foram aplicadas multas que chegam a R$ 11 milhões (divididos entre R$ 9,3 milhões para empresas e R$ 1,7 milhão para os administradores, em decorrência da "conduta anticompetitiva").
A decisão foi embasada na investigação Medusa 3, iniciada há seis anos. Na época, 14 pessoas foram presas, acusadas de formação de cartel, sonegação fiscal, corrupção, estelionato e crime econômico. Além das prisões, foram apreendidos documentos, computadores, celulares e armas.
Ainda que tardia, essa condenação é uma resposta positiva à sociedade. Crimes que lesam consumidores devem ser investigados à exaustão e punidos. Não devem cair no esquecimento, até porque a falta de punição contribui para a continuidade de práticas ilícitas. O segmento de combustíveis é de fundamental importância e a sociedade merece uma resposta. Até então, fiscalizações têm ocorrido, bombas acabam lacradas e alguns poucos empresários são presos, mas fica a sensação entre a população de que tudo isso não tem qualquer resultado prático, ou seja, "preços tabelados" continuam sendo praticados e os consumidores estão à mercê desses maus empresários.
É preciso garantir que essas multas sejam efetivamente pagas e que essas pessoas de fato paguem pelos seus crimes. A Justiça precisa que ser mais célere para garantir uma resposta mais imediata à sociedade.

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