CARTAS
Traje ultrajante
Por um momento pensei que a opinião de Isabela A. C. Baccarin (Cartas, 17/10) fosse uma ironia, mas percebi que a bacharel em Direito falava sério. Realmente é essencial para a formação intelectual, profissional e humanística de um estudante que ele saiba se vestir adequadamente. Imagine, como poderia dar ouvidos a alguém de chinelos e bermuda? É uma afronta aos bons costumes, até parece que vivemos num país tropical! Imagine que imagem belíssima todos na universidade de terno e gravata! Bem faz os fóruns do país que não permitem a entrada com bonés e bermudas e que decisão acertada a daquele juiz que cancelou uma audiência porque o réu usava chinelo. É isso o que realmente importa, a indumentária! Que sandice a de Jânio Quadros quando propôs no começo dos anos 60 que, em ocasiões de protocolo menos rígido, fosse usada uma vestimenta oficial que se assemelharia a um uniforme estilo safári, onde já se viu, canelas e joelhos expostos, um absurdo, ainda bem que ele renunciou. Se na virada do século 20 para o 21 o novo homem burguês trajava um ''lounge suit'' ou terno moderno como sinal de sua superioridade, isto não faz mais sentido numa sociedade igualitária como a nossa onde não há julgamento pela vestimenta que se usa ou pelo pronome de tratamento que vem antes do nome, apesar dos inúmeros doutores sem doutorado que encontramos por aí. Uma vestimenta bem comportada não faz mal a ninguém, e outra, se fosse natural mostrarmos nossos corpos Deus nos teria criado completamente nus, não é mesmo?
CAETANO ZAGANINI FILHO (professor de Filosofia) - Londrina
Troca de favores
Fica cada vez mais evidente que a troca de favores é explícita na Câmara de Londrina, diante de tantas evidências e do relatório, um vereador vem a público declarar que é contra a abertura de uma CEI para esclarecimentos. Tenho como lema o seguinte ditado: quem não deve não teme. Oras bola se não há indícios ou mesmo prova contra, por que a não abertura da CEI? É por essas e outras que cada vez mais deixamos de acreditar nos políticos do nosso Brasil.
WILHIANS PEREIRA CARDOSO (servidor público) - Londrina
Aliados e inimigos
Gadafi ou Kadafi, não importa, deixou de existir, seja pela vontade do povo oprimido, seja por interesses escusos, inclui-se aí, quem tem interesse direto na exploração das riquezas minerais, dentre elas o petróleo. Há de se recordar o passado de alguns algozes da humanidade, dentre eles Saddam Hussein, Bin Laden e agora Kadafi, todos sem exceção eram aliados da nação com maior economia do mundo e, como o mundo dá voltas, tornaram-se inimigos mortais, pois seus interesses foram trocados pelo nacionalismo exarcebado. Por outro lado, ninguém é santinho, é só analisar os anais da história. Em todos eles há um interesse em comum, a fonte de energia que move o mundo, o petróleo, o ouro negro. Eis o outro lado dessa guerra maldita do bem contra o mal.
YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá
Última morada
Londrina deverá enfrentar, num curto espaço de tempo, um problema sério para sepultar seu mortos. Cemitérios tradicionais e centrais há muito não oferecem mais condições para novos túmulos. Pelo nosso tipo de cultura, poucas pessoas preocupam-se em ter, por antecipação, um local para enterrar seus mortos, ou seja, prevenindo-se de maneira racional de um acontecimento que, queira ou não, todos teremos que enfrentar. Ouve-se aqui ou acolá, relatos de famílias que tiveram que fazer ''vaquinha'' para enterrar seu ente querido. ô necessário que o poder público nos oriente, de maneira clara, como deveremos proceder quando o cemitério situado na Zona Norte não tiver mais área física disponível para criar novos jazigos.
EDSON MEDARDO SCARCHETTI (bacharel em Teologia) - Londrina





