CARTAS
Uma vida por um tiro
Há um ano, em uma das ruas do Jardim Bandeirantes, bairro em que me criei, perdi meu filho de 20 anos, Caio César Ramos Lopes, um único tiro mudou a vida de minha família. A violência, cruel e injusta, ocupa cada vez mais espaço. A impressão que tenho é de viver uma guerra: os bons, trabalhadores, estudantes e cidadãos de bem, contra os maus: desocupados, marginais e criminosos. Não basta deixar de ler ou ver noticiários para não entristecer-nos com os acontecimentos. A qualquer momento podemos ser vítimas ou testemunhas da maldade e da falta de valores e princípios que nos rodeiam. O respeito, a solidariedade e o direito à vida estão sendo desvalorizados. A violência está em todo lugar de nossa cidade, pronta para roubar, ferir e matar. O que fazer para resgatar os direitos, a segurança, a confiança e a liberdade?
SILVANA SALINO RAMOS LOPES (professora) - Londrina
Vereadores
Se muitos de nossos vereadores cumprissem realmente com suas obrigações, fiscalizando o Poder Executivo, legislando em benefício do povo e da sociedade, talvez nossa realidade política fosse outra. Infelizmente muitos políticos se interessam mais em legislar em causa própria ou na defesa dos interesses financeiros de determinados grupos. É comum a figura do político populista que cresce pela demagogia e assistencialismo - que deve ser abandonado. Para atender às necessidades da população carente, temos a Secretaria de Assistência Social. Quando surgem problemas que são de responsabilidade do Estado ou União, é comum ver vereadores se eximindo da responsabilidade. Vereadores deveriam lutar pelos interesses do povo.
TOCHITANE MITSI (gerente de restaurante) - Londrina
Trote cidadão
Decente, honesta, humanitária e civilmente correta a idéia do trote cidadão (''Não caia nessa cilada. Diga não ao trote violento'', Paraná/Geral, pág. 10, 08/02). A vida acadêmica é um período de aprendizado para servir a sociedade com competência, dedicação e respeito, em troca de remuneração paga pela mesma sociedade, que nem sempre tem as condições adequadas para tal. Por isso, nada mais justo conhecer a realidade dessa sociedade, que em muitos casos é diferente da vivida por acadêmicos. O que temos visto nos trotes são manifestações de recalques e instintos de selvageria que não raro têm levado calouros ao sofrimento e até a tragédias. Talvez se os formandos em medicina da UEL em 2008 tivessem passado pela experiência do trote cidadão, teriam demonstrado maior respeito aos pacientes do Hospital Universitário.
ANTONIO CIRÍACO (Secretário Municipal de Saúde) - Cidade Gaúcha
Trote violento
Realmente houve uma diminuição nos chamados trotes violentos, pois começou a acontecer uma maior divulgação, e muitos calouros universitários passaram a dizer não e buscar ajuda para a não participação. Mas, infelizmente, ainda acontece. Pena que as leis e normas para este tipo de brincadeira ainda são muito brandas. Os próprios reitores ficam de mãos atadas para tomar atitudes de punição rígidas, como a exclusão do aluno ou expulsão, pois a lei ainda protege este tipo de ato. Prova disso foi a brincadeira sem graça dos universitários que entraram badernando em um hospital recentemente, para comemorar o fim do curso de Medicina, onde foi estipulada uma punição por parte do reitor, e mesmo assim a lei ainda facilitou para os baderneiros.
OSMARIO CANDIDO PEREIRA (professor) - Porecatu





