CARTAS
Eleições e marqueteiros
Depois que as campanhas eleitorais foram profissionalizadas os chamados marqueteiros tiraram toda a espontaneidade dos candidatos, deixando-os desfigurados como se fossem garotos propagandas de uma causa. Mais triste ainda é ver todas as campanhas no mesmo tom ''paz e amor''. Este tipo de campanha serve muito bem para candidatos vulneráveis chamados hoje de ''ficha suja''. Colocar para os eleitores fatos, até para refrescar a memória, que sujaram seus currículos, é dever e obrigação dos candidatos bem- intencionados. Baixaria é uma coisa, indignação e compromisso de não tolerância com a corrupção é outra. Foi-se o tempo em que a corrupção era intolerável, agora os marqueteiros de olho no segundo turno, maquiam e controlam os candidatos. Será que esta modernidade dá ou tira voto?
WALTER COSTA BARROSO (cirurgião dentista) - Londrina
Canto da sereia
A matéria ''Bancos lideram lucros entre as empresas de capital aberto'' (Economia, pág. 2, 22/08), mostra o estratosférico lucro dos bancos da ordem de R$ 16,5 bilhões. Esse lucro não foi fruto de trabalho prestado à população, mas sim produto de usura. O cartão de crédito, até então símbolo de status da classe média e que agora se alastra pelas classes D e E, nada mais é que a ferramenta do sistema bancário para desbancar a trincheira do bom senso que em gerações passadas norteou nossa sociedade. O sistema nos engana quando nos classifica como ''clientes especiais'' e nos dá limite em conta corrente e nos fornece cartão de crédito. Temos ciência que este afago em nosso ego irá representar taxas ''impagáveis'' de 8 a 12% ao mês. Sucumbiremos diante do adversário, porém a vaidade nos tolda a visão. Este é o verdadeiro canto da sereia moderno.
EDSON MEDARDO SCARCHETTI (estudante de Teologia) - Londrina
Só faltava essa
Num país com um potencial de riqueza tão grande como o nosso, às vezes ficamos indignados com algumas situações. A última foi que a maior parte da cegueira é causada por falta de óculos, porém temos conhecimento de inúmeras pessoas em filas cirúrgicas com caso de vida ou morte. Muita gente também tem que lutar na Justiça para conseguir medicamentos para sobreviver. Aí vem o governo com intenção de custear as cirurgias para mudança de sexo? Só mesmo no Brasil de Lula. Se os políticos corruptos devolvessem nosso dinheiro aos cofres públicos, quem sabe os problemas não diminuiriam.
ANA PAULA LOPES DE MEDEIROS (radialista) - Rolândia
'Cabide' no Palácio Iguaçu
O governador Requião ironiza não somente o Poder Judiciário e a imprensa com suas atitudes, mas toda sociedade do Paraná. Coloca a família toda no governo como cabide de empregos. Quanto desperdício político! Infeliz o povo que tem um ditador que se traveste de cordeiro para garantir a vitalidade de sua família no poder. É um coronelismo a leite quente!
CÉLIO BORBA (artista plástico) - Curitiba
Só poeira
O ministro Tarso Genro (Justiça) lançou a terceira campanha pelo desarmamento sob a alegação de que existem cerca de 1 milhão de armas de fogo clandestinas no País, fora as 6,5 milhões registradas. Se são armas registradas não são ilegais, seus donos são devidamente cadastrados. E se não o são, não serão devolvidas pelos criminosos ciosos da posse de suas armas e do poder que elas lhes conferem sobre os cidadãos. O governo mais uma vez gasta em publicidade para hastear bandeira de uma campanha inócua que só serve mesmo como poeira em nossos olhos na tentativa de esconder sua inoperância na área de segurança.
MARA MONTEZUMA ASSAF (empresária) - São Paulo
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