Candidatos com ficha suja
  Acho plausível a atitude tomada pelo promotor de Justiça de Ortigueira, Rodrigo Ferreira Leite Cabral (Política, pág. 6, 04/07), no sentido de barrar candidaturas de políticos daquela cidade que estejam respondendo ações na Justiça. Não há no que se falar em ferir o Princípio da Inocência consagrado na Constituição Federal, o qual ninguém pode ser considerado culpado até a sentença definitiva, ou seja, sem possibilidade de recursos, uma vez que a moralidade administrativa também constitui princípio constitucional de acordo com o artigo 37 da CF. Todo movimento e discussão surgiu da tese ‘‘ficha limpa’’ em que os juízes dos Tribunais Regionais Eleitorais se basearam naquele princípio, contra a inscrição de candidaturas de políticos que respondam processos. Acredito que atitudes como estas tendem, lentamente, a moralizar o quadro da política nacional. Quem sabe o cidadão passe a acreditar que seu voto faz realmente diferença.
TATIANA GONÇALVES ANDRÉ
(advogada) - Londrina
‘Recesso branco’  São tantos os escândalos protagonizados pelos deputados que essa notícia do ‘‘recesso branco’’ na Câmara Federal, proporcionando uma licença remunerada de dois meses a todos os seus componentes porque 20% dos parlamentares estão preocupados com as eleições municipais, não nos causa mais perplexidade. Trata-se de mais uma atitude vergonhosa e de locupletação com o nosso suado dinheiro. Deveriam tirar licença sem remuneração. Porém, não podemos perder a nossa capacidade de indignação diante dessas mazelas que assolam a classe política. Como vamos ter vários deputados candidatos a prefeito, será uma boa oportunidade de cobrá-los pessoalmente uma posição mais decente e honrosa sobre esse embolso do dinheiro público sem trabalhar. Que tal uma atitude ‘‘sui generis’’ de cada um de nós?
LUDINEI PICELLI
(administrador de Empresas) - Londrina
Que cidade é essa?
  Senti náuseas ao ler na edição do dia 04/07 da FOLHA sobre a aprovação do ‘‘trem da alegria’’ que dava aumentos entre 40% e 90% para alguns setores do funcionalismo público municipal, apesar de tal medida ferir a LRF e ir contra o alerta da Procuradoria Jurídica da Casa. Em um país em que a inflação está correndo solta e o funcionalismo não recebe reajuste digno há quase oito anos e a administração alega falta de verbas, acho um absurdo que nossos ilustres vereadores proponham esses reajustes abusivos a categorias escolhidas a dedo. E o serviço social que nessa administração teve reajuste de quase 140%? Será que a responsabilidade técnica deles é tão mais alta do que a de um médico, um enfermeiro ou a de um professor?
ANTONIO APARECIDO DA SILVA
(publicitário) - Londrina
Engraxates
  Não há como calar sobre o caso dos engraxates. Tenho que juntar minha voz à do sr. Mario Jorge de Oliveira Tavares (Cartas, 07/07) e de tantos outros leitores que se manifestaram na FOLHA. Na época em que vocês tiveram o privilégio de trabalhar, caso não o fizessem, tinham a opção de poder brincar de verdade, com rolimã, bola de gude e outras brincadeiras saudáveis. Hoje, as opções que esses meninos têm são terrivelmente outras. Sabemos bem onde todos irão parar. Poderão não ter a sorte de ser pessoas de bem. Muitos ficarão pelo caminho e seu fim pode ser trágico.
MARILZA RIBEIRO LONGHI
(bancária) - Ibiporã
Preço de carros
  Li domingo na FOLHA que o novo Gol chega ao mercado a partir de R$ 28.890,00. Isso significa que é o modelo básico e que para comprar na agência ainda tem os acréscimos de vidro cor tal, rodas tal, bancos altos, etc. Se o dólar hoje está cotado a R$ 1,65, quer dizer que o brasileiro vai pagar no mínimo US$ 17.509,09 por uma carroça. Será que a Volkswagen consegue vender esse modelinho básico por US$ 10 mil nos Estados Unidos? Pagamos mais por aquilo que cada dia vale menos e com qualidade extremamente duvidosa.
TADEU ARILSON STULZER
(advogado) - Londrina

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