CARTAS
Burro cratas
Experimente comprar uma casa própria mesmo que seja para pagar o resto da vida e tente entrar nela. Vão te pedir tanta porcaria na Copel para ligarem a luz do seu imóvel que você sentirá vontade de chorar: burrocracia exagerada. Mesmo sabendo que irão te roubar pelo resto da vida, exigem absurdos para te complicar a ser cliente. Experimente pedir para alguém cancelar a sua internet na Sercomtel. Além de exigirem uma pilha de documentos, você tem que ir pessoalmente, pode? Não é uma companhia telefônica? É, mas não atendem por telefone. Se conseguir ligar a luz na Copel, se desfazer da internet lesma na Sercomtel, vá à NET e veja o que te espera. Para vender correm atrás, para desligar, chá de cadeira. Que país é esse meu Deus?
LUIZ VICTOR VAL MYSZKOWSKI
(perito criminal) - Londrina
Ensino especial
Achei interessante a reportagem Barreiras que começam na escola (Folha Cidades, pág. 1, 06/06), mas ainda é pouco diante da quantidade de pessoas que precisa de ensino especial. Isto deveria ser lei para que todos os portadores de deficiência venham a ter um tratamento igual aos demais. Tudo tem que ter um início e esta reportagem valeu muito. Parabéns à FOLHA pela iniciativa.
VALDIR PEREIRA CANDIDO
(decorador) - Itajaí (SC)
Arrecadação cresce e beneficia municípios
Extremamente positiva a manchete de capa deste jornal na última segunda-feira sobre o aumento da arrecadação federal em nossa região. Sem dúvida, isto refletirá em aumento do Fundo de Participação dos Municípios. Este incremento de arrecadação, porém, nem sempre se reverte em benefício da população. Seja em obras ou na melhoria dos serviços prestados. Como estamos em ano de eleições municipais, muitos prefeitos que são candidatos à reeleição utilizam esse excesso de arrecadação para inchar ainda mais a máquina pública. Contratam funcionários sem concurso e sem necessidade apenas com o objetivo de contratar cabos eleitorais remunerados. É uma atitude reprovável que só vem comprometer ainda mais o dispositivo constitucional que permitiu a introdução da reeleição para cargos executivos no país.
JOSÉ EDMUNDO MOURA
(bancário) - Ribeirão do Pinhal
Até tu, Yeda?
A governadora do Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius, está em situação complicadíssima. Como sair do incêndio sem se chamuscar mais do que já está? Sobreviverá às chamas? Afastar seus assessores imediatos é a primeira - e inevitável - atitude de Yeda, mas ela ainda terá muito a explicar. Poderá alegar, como faz o presidente Lula, que não sabia de nada, que não viu nada, que jamais imaginou que aloprados de seu governo, pessoas de sua confiança, poderiam traí-la de forma tão acintosa? Poderá. Poderá também dizer que foi um erro administrativo. Poderá ainda afirmar que seus assessores fizeram o que todo mundo faz e apontar o dedo a seus críticos e admoestar: Falsos moralistas!. Yeda tem muito a explicar para evitar o desabafo, inspirado em Caio Julio: Até tu, Crusius?.
JOSÉ ANTONIO PEDRIALI
(jornalista) - Londrina
Falta civismo
O presidente Lula só agora, em seu segundo mandato, percebeu que a lei eleitoral não permite utilização de recursos públicos para alavancar apaniguados três meses antes das eleições. Para ele, a lei se tornou hipócrita por impedir que sua generosidade seja exercida durante esse período. A falta de civismo e de postura, aliados a uma injustificável e surpreendente popularidade, tem revelado um presidente avesso aos postulados democráticos e cada vez mais simpático à práticas autoritárias. Da classe média, baluarte da democracia, que perdeu sua condição de formadora de opinião para os programas assistencialistas eleitoreiros, se espera uma reação até 2010. Senão será o caos.
SERGIO VILLAÇA
(engenheiro civil) - Recife (PE)





