Estive lá
  Não sei se por curiosidade ou dever cívico fui sábado à Câmara Municipal assistir ao desfecho da tumultuada carreira política do sr. Orlando Bonilha. Polêmico até na formação de seu nome, ele foi protagonista das maiores estripulias possíveis em Londrina. Mesmo assim foi o político mais prestigiado pelo Poder Executivo nos últimos oito anos. Como ele agia: sozinho ou com respaldo da instituição que fazia parte? A sua ingenuidade e sua audácia talvez fossem atrativos que fizessem dele um líder ideal para execução de projetos delituosos. Vi com meus próprios olhos uma Câmara cabisbaixa e envergonhada, uma platéia de pessoas comuns, nenhuma representação de qualquer instituição. Sem dúvida alguma um dia de muita vergonha para ser registrado em nossa história. Um fiasco o comportamento da defesa que abandonou o réu sob alegação que não poderia perder o final de semana em um passeio. Perdeu o sr. Bonilha a grande oportunidade de tentar preservar talvez a única coisa que lhe restava, a sua dignidade, lá comparecendo e contando toda a verdade, se agia só ou com parte daquela instituição. Daí sim poderia ir tranqüilamente para a prisão pagar por seus crimes.
WALTER COSTA BARROSO
(cirurgião dentista) - Londrina
Saúde ou praça?
  Dias atrás, acompanhei uma londrinense que necessitava de atendimento até o Hospital Universitário e fomos mal atendidos pelos funcionários da recepção. Ficamos mais de três horas em pé, pois todos os assentos estavam ocupados por pessoas fracas e semidesfalecidas. Nossa única ocupação era contar e fugir das baratas que passeavam pelo chão da recepção. De volta ao Centro, deparei-me com uma construção imponente, cheia de portões, arcos e obelisco onde funcionários trabalhavam a todo o vapor para deixar a ‘‘praça’’ pronta para a chegada de um imperador. Com certeza, a colônia japonesa merece todas as honras e homenagens pelo desenvolvimento que trouxe a nossa região. Mas o que os londrinenses estão precisando é de atendimento digno na área da saúde e não de uma praça. Se eu fosse londrinense não gostaria de ver o meu dinheiro sendo usado para construir uma praça, enquanto conto baratas dentro de um hospital. Ah, já havia esquecido, é ano eleitoral!
EMERSON BETIATI
(professor) - Ibiporã
Porecatu, liberte-se
  Porecatu está vivendo um momento especial. O povo acordou. Faz muitos anos que vivo aqui e nunca eu tinha visto o povo se manifestando pelo seu direito. Depois de dois meses sem pagamento e outros prestadores de serviços com mais meses sem receber, a cidade parou e exerceu a democracia de poder questionar seus direitos. Como foi bonito ver o comércio, trabalhadores, estudantes e grande parte da sociedade juntos em busca de um mesmo direito. Espero que o povo agora se liberte e perceba que todos juntos sempre se chega a um objetivo. Sei que a parte política da cidade, quase não se manifestou, mas o povo vai saber quem é quem nas próximas eleições.
OSMARIO CANDIDO PEREIRA
(professor de Geografia) - Porecatu
Mais vereadores?
  A Câmara do Deputados aprovou recentemente o aumento do número de vereadores. Certamente, Londrina será agraciada generosamente por estes deputados que só sabem sacanerar o povo de bem. O sorriso fácil, o tapinha nas costas, as visitas às feiras-livres e outros artifícios estão bem próximos, fique esperto! Estes parlamentares só envergonham o povo.
LAERCIO PIRES CARDOSO
(representante comercial) - Londrina
Alguém lembrou?
  O primeiro transplante cardíaco no Brasil fez 40 anos. Em maio de 1968 o João ‘‘Boiadeiro’’ recebeu em seu peito o coração de um doador, fato inédito até então no Brasil. O cirurgião responsável pela equipe foi o dr. Euryclides de Jesus Zerbini. Já que ninguém lembrou, fica o registro.
JOÃO ALBERTO TWARDOWSKI
(médico) - Guaíra

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