CARTAS
Fidel Castro
Qual a emoção de alguém que, ao lutar ideologicamente contra os abusos e sonhos disparatos da esquerda, vê a renúncia de Fidel Castro? A minha é indescritível. Castro esperou seu Godot da revolução durante 49 anos. Ele apareceu? Infelizmente, tal como na peça teatral, não! O Godot castrista é a vida mais justa, a não concentração de renda. Esta não se conseguiu ao longo dos seus 40 anos de ditadura, elogiados por aqueles que não vivem sob seu comando. Ainda assim, num país de economia fechada, com o câmbio duramente controlado pelo governo, fala-se em uma renda per capita anual de 6 mil dólares.
O marxismo, há muito, tornou-se o discurso vazio dos pseudos-revolucionários que, no primeiro ano de faculdade, lêem uma obra de Marx, um comentador seu e, ao som de Caetano e Gil, vivendo às custas dos pais, gritam pela revolução. Dizem que se deve pensar nos mais pobres, sendo estes pseudo-revolucionários os mesmos que nunca pegaram uma enxada, uma bandeja, um ferro de solda, e foram à luta para ganhar seu sustento. Enquanto rodam nos carros ''papai-pagou'', discutem falácias e projetos de mudança social. E sempre há, lógico, os dinossauros acadêmicos que vivem desse palavrório.
Felizmente, a história está por aqui, para mostrar que nenhuma falácia se sustenta para sempre. O Muro de Berlim e sua queda provocaram um momento místico na reconstrução da liberdade. Podemos dizer que este se encerra com a renúncia de Castro e a vitória vindoura de uma democracia consistente.
Como explicar, para aqueles que me criticarão, aquilo que considero importante neste momento? Num outro momento, demonstrei, através de dados coletados pelo economista Armando Lagos, a situação de violência e intolerância reinante no país. Ou será que o insano sou eu, ao ver, constantemente, notícias sobre os exilados que fogem da Ilha da Fantasia?
Felizmente, podemos afirmar que, desse dia em diante, não vivemos mais com um totalitarismo à espreita, mesmo que fosse decrépito, capenga. Este é parcialmente enterrado com a renúncia do presidente cubano. Só bastar ver o que nos resta do seu filho bastardo, que aos poucos corrói as bases da democracia venezuelana. Deus nos livre de outro Fidel.
Luiz C. F. Manini (professor de História) - Londrina
Elevador
Em relação a matéria ''Folha Cidades'', dia 19/02, Elevador do Fórum é interditado, a União dos Deficientes Físicos de Cambé (Unidefi) vem parabenizar a Promotoria de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. A Unidefi esteve presente na Ação Cívil Públicana e esclarece que o elevador, instalado há dois anos, nunca chegou a funcionar.
Aminadabe M. de Oliveira (Vice Presidente da União dos Deficientes Físicos) - Cambé
Autoridade ou abuso?
Qual é o limite entre autoridade e o abuso dela? Imagine esta cena: quatro garotos passeando de carro pela Higienópolis na madrugada de domingo. Num determinado ponto uma viatura da polícia os aborda e manda que eles desçam e fiquem encostados no muro para a ''revista''. Até que tudo certo. Faz parte do trabalho do policial. O que acontece a seguir é que coloca em dúvida o comportamento dos policiais. Durante a revista meu filho disse que se ele fosse mulher e virgem naquele momento teria perdido a virgindade, tamanha força com que o soldado o revistou. Como não achou nada que incriminasse os meninos, com um tom ameaçador e ríspido perguntou se não acharia maconha dentro do carro e foi em busca da droga, que não encontrou. Pediu então o documento de identidade de apenas um dos meninos e sem mais foi embora.
De bandidos podemos esperar agressividade por questão de educação, cultura e moral é sabido que estas pessoas não têm nada disto. Mas o que se dizer de homens que são treinados e recebem da população seu salário? Que tipo de treinamento e instrução recebem em suas academias? Por que tanta raiva?
No meio destes dois mundos estamos nós pobres mortais e simples cidadãos do mundo que para qualquer lado que olhemos damos de cara com pessoas prontas a atacar e machucar!
Fica então uma pergunta:
Somos bandidos e culpados até que se prove o contrário, ou
somos inocentes até que se prove o contrário?
Se alguém souber a resposta por favor me diga.
Dilce D. França (psicóloga, mãe, cidadã) - Londrina





