CARTAS
O 'sistema'
Sou mulher e uma cidadã comum com direitos e deveres que agora está preocupada com uma coisinha: o tal do ''sistema''. Quero trafegar tranquilamente pelas ruas, mas não posso porque o ''sistema'' não me permite. Quero sair com os amigos também não dá pois o ''sistema'' não me dá segurança. Até ir à igreja às vezes me dá medo, pois tenho receio de que o ''sistema'' venha me impedir de fazê-lo. Sempre que minha filha sai com o namorado ou os amigos fico ansiosa esperando ela voltar para abraçá-la e só assim conseguir dormir. Não posso trabalhar pois o ''sistema'' me julga velha por ter mais de 40 anos. Sabe quem é o ''sistema''? A falta de caráter daqueles estão no poder e que estão cada vez mais excluindo meus direitos e aumentado os deveres. Tome cuidado nas próximas eleições, lembre-se que você tem direito de ser feliz, viver em paz, abraçar seu filho quando chegar do trabalho, tem o poder de mudar este País votando com a certeza de que pode mudar este cenário.
MARIA REGINA MINTO REYES (assistente administrativo) - Londrina
Reeducação
Criança e país pobre são a mesma coisa no aspecto da rebeldia e indolência. Se você acostuma mal uma criança permitindo, por exemplo, que ela chupe picolé na hora do almoço, preterindo o feijão com arroz, depois fica difícil para você corrigir. Ela já está acostumada com o gostinho doce e relutará muito para buscar o caminho correto. É o caso da CPMF. Da mesma forma que a criança, o governo se acostumou com esse dinheiro fácil e doce e também não vai querer saber de sacrifícios para manter os confortáveis gastos atuais. Nos dois casos é uma questão básica de reeducação: alimentar e governamental.
HABIB SAGUIAH NETO (aposentado) - Marataízes (ES)
A menor era pobre!
Não existe explicativa plausível para terem aprisionado uma adolescente em uma ''jaula'' com 20 homens no Pará. Mas encontrei uma: a menor era pobre! No Brasil, se confirma a famosa sigla do presidiário: ''Só vai em cana quem é PP: pobre e preto''. No caso da menor paraense, o poder público errou feio. Errou a autoridade policial - o delegado - que a prendeu sem ter provas e nem apurou os fatos. Errou o Ministério Público, que sabia do fato, mas preferiu se calar diante do poder da governadora que, por sua vez, preferiu se omitir com um agravante: sendo mulher, errou em dobro. E sem essa da governadora esbravejar depois do fato ocorrido. Existiam relatos de inúmeros outros casos pelo Pará de mulheres presas junto com homens sofrendo humilhações e estupros. Aliás, cadê a reação das mulheres do Pará e do Brasil, as grandes manifestações, os discursos feministas inflamados a la Heloísa Helena? Foram atingidas em cheio, no âmago feminino e nada se escutou, nada se falou, nada se contestou de fato, quando muito uma ou outra voz esparsa procurando eco ou alguma tirinha de jornal como esta aqui.
ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO (estudante) - Curitiba
O que esperar
O que esperar de um país onde: os empresários das cooperativas adicionam soda cáustica no leite, alimento básico para as crianças; o presidente do Senado usa a tribuna para discursar, com a esposa presente, desculpando-se por ter uma amante; o jovem com 16 anos pode votar, mas não trabalhar, preenchendo seu tempo fazendo o que é errado (roubando, matando); o presidente da República compra a dignidade e a auto estima de milhões de brasileiros com o Bolsa-Família; a minoria (bandidos) está dominando uma maioria (cidadãos de bem); a grande maioria dos políticos são corruptos e administram em causa própria; a ministra do Turismo, em função do caos aéreo, fala para a população relaxar; e a covardia da sociedade só não é maior que a ousadia dos políticos corruptos?
ADONIRO PRIETO MATHIAS (contabilista) - Londrina





