Corte de remédios
A Declaração Universal dos Direitos do Homem assegura que toda pessoa tenha direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. No entanto, o que se vê é a desconsideração da dignidade e do direito à vida dos cidadãos brasileiros. Os direitos que deveriam ser garantidos pelo Estado a todos se tornam cada vez mais serviços que devem ser comprados por quem puder. A saúde não escapa dessa lógica de mercantilização. O corte no orçamento público que seria destinado à saúde e até mesmo o desvio de verbas, levam a uma crescente precarização do SUS, à banalização do direito constitucional à saúde e à própria vida dos pobres. Enquanto isso cidadãos morrem por falta de medicamentos à mercê de uma ''justiça'' preocupada com os cofres públicos.
CLOVIS PEREIRA (coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos do Paraná) - Londrina
Leite sob suspeita
Os casos de adulteração de leite noticiados recentemente estão ganhando uma proporção exagerada na mídia que pode ser prejudicial a todos envolvidos, inclusive os consumidores, no que diz respeito a um ''alarme'' excessivo. Curioso é que até estas denúncias, não me lembro de ler no noticiário nenhum caso comprovado de intoxicação de alguém pelo leite processado, seja de ''caixinha'' ou de ''saquinho''. Tenho visto e ouvido muitas mães preocupadas dizer que estão em dúvida sobre o risco em dar leite às crianças. Mas quando vão ao supermercado, estas mesmas mães abarrotam seus carrinhos de compras com refrigerantes, bolachas, biscoitos recheados e salgadinhos fritos, etc. Recomendo conversarem com seus pediatras e nutricionistas e se informarem sobre o uso de conservantes, corantes, acidulantes, etc., destes alimentos. Prefiro continuar bebendo leite.
CARLOS EDUARDO CATELLA (engenheiro agrônomo) - Londrina
Herói brasileiro
Não sei qual super-herói os brasileiros gostam mais. Será o Superman, o Homem Aranha, o Hulk ou outro qualquer? O que esses super-heróis fazem? Acabam com monstros de outros planetas, acabam com políticos que fraudam documentos para vender armas. Vocês já imaginaram se pudéssemos ter um super-herói brasileiro que acabasse com o tráfigo de drogas, políticos corruptos, mercenários do poder e outras pragas? Vamos lançar o bordão ''Capitão Nascimento neles!'': só ele mata a sede de vingança e soluciona os problemas.
ANTONIO RICARDO PACHECO (engenheiro mecânico) - Londrina
Revista da PM
Constrangedora é como classifico a situação que passei sábado à noite quando me dirigia à uma festa na Fazenda Cachoeirinha. Uma blitz da Polícia Militar me colocou de mãos sobre o capô e pernas abertas. Eu e centenas de pessoas fomos revistadas como se fôssemos traficantes ou criminosos portando armas ou produtos ilícitos. Além do vexame, a demora excessiva nas revistas provocou filas que quase chegaram ao Shopping Catuaí. Muitas pessoas desistiram de ir ao evento devido à demora ou por não concordarem em se expor a situação constrangedora. Estranhamente a blitz se colocou alguns metros depois do acesso à festa que também ocorreu no Centro de Eventos, ou seja, as pessoas que escolheram aquele evento foram consideradas idôneas. Já as que preferiram a festa da Fazenda Cachoeirinha foram marginalizadas.
PAULO MAURICIO ACQUAROLE (representante comercial) - Londrina
Lixo na rua
Por que jogar o lixo na rua? É incrível como nossas ruas e calçadas estão ''carregadas de lixo''. É lixo em frente à escola, da igreja, do velório, do boteco, do campo, da loja. É lixo para todo lado, menos no lugar certo. Antes de se fazer algo por CO2 ou discutir efeito estufa é preciso nos conscientizarmos e praticarmos atitudes obrigatórias e simples como não jogar o lixo na rua. A nossa harmonia com a natureza tem sido um verdadeiro lixo. Que tal mudarmos as nossas atitudes?
FABIANO BARRETO (conferente) - Arapongas
Voto nulo
O voto nulo pode ser um direito do eleitor e um protesto legítimo, mas permite que os sem-preparo ajudem a eleger as pessoas erradas. O voto nulo faz parte da democracia, mas a campanha por ele está se valendo de uma interpretação equivocada da lei para manipular uma população desinformada e desconfiada das instituições democráticas. Tudo isso, apenas para tumultuar o processo eleitoral, o que está mais para anarquia do que para a democracia. Temos que exercer nossa cidadania e votar nas próximas eleições em pessoas honradas, independentemente de partidos políticos. Devemos deixar de lado o fisiologismo e a troca de voto pelo favor. Ainda creio neste país.
DEBORAH FARAH (jornalista) - Rio de Janeiro

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