CARTAS
Punição aos corruptos
Os piores crimes que abrangem a nossa sociedade são os cometidos por políticos e funcionários públicos corruptos. Estes delitos degradam as finanças do Estado e grandes investimentos deixam de ser feitos por conta destes inadmissíveis desvios de verba. O povo está sendo massacrado indiretamente todo ano, seja pela falta de remédio, de hospitais onde não há vagas, pela falta de saneamento básico e, principalmente, pela falta de educação, que é o que entrega nossas crianças ao crime. O cidadão de bem que rouba um pote de manteiga no supermercado tem uma condenação dura, podendo penar anos na cadeia. Já os políticos roubam milhões dos cofres públicos e não acontece nada. Alguns ainda até têm direito à aposentadoria compulsória. O Brasil só terá jeito no dia em que o povo começar a enxergar quem são os grandes e mais perigosos bandidos do país e exigir condenação severa para todos, até os que dispõem de foro privilegiado.
DEBORAH FARAH (jornalista) - Rio de Janeiro
Biocombustíveis
O Brasil tem condições técnicas para produzir alimentos para além do triplo da população mundial. Lamento sermos os primeiros a contrapor contra nós mesmos. Em qualquer propriedade de 10 hectares que se plante mandioca ou feijão estará sendo plantada uma monocultura. Do mesmo modo, o que se tem contra a monocultura de larga escala? É uma questão de oferta e procura, tanto para o mercado como para o bolso dos agricultores. Só poderiam discutir sobre qual produto agrícola obter o etanol, em países em que a cana-de-açúcar não puder ser plantada por condições climáticas ou de solo. Nesta situação, o Brasil poderia plantar para abastecer o mundo. Terras é que não faltam. Quer queiram ou não, este processo no uso de biocombustíveis já é irreversível. Precisamos fazer uso de nosso potencial e dominarmos este mercado. Se os biocombustíveis não são ideais, pior o uso do petróleo.
CELITO MEDEIROS (engenheiro agrônomo) - Curitiba
Indignação
Fiquei decepcionado e revoltado quando vi nos jornais e na TV, foto do presidente Lula ao lado do Renan Calheiros, rindo. Com certeza, rindo dos brasileiros passivos e com sangue de barata. Tivéssemos nós uma posição mais firme e determinada, cobrando dos nossos políticos desempenho ético, moral e profissional em seus cargos, certamente fotos como essa não aconteceriam.
ADONIRO PRIETO MATHIAS (contabilista) - Londrina
Descontrole oficial
Uma notícia no rádio sobre controle de patrimônio do governo federal informava que o governo não sabe quantos veículos oficiais compõem a frota nacional. É isso mesmo! Nadinha, a menor idéia! O responsável pela implantação do novo controle informatizado do patrimônio, confirma e acrescenta. Ainda vão ser necessários mais dois anos para que se tenha o domínio dessas informações, com um programa similar hoje utilizado pelo Cogef, que acompanha movimentações financeiras de interesse do Banco Central. A reportagem enviou questionários para os mais de 30 ministérios e somente seis responderam. Dentre eles, alguns consideram apenas carros oficiais, aqueles que estão à disposição do secretariado em Brasília. Precisa continuar?
JOSÉ LUIZ ALVES NUNES (servidor público) - Londrina
Computador nas escolas
Os computadores, que estavam encaixotados nas escolas públicas, aguardam para este semestre as instalações em rede e a liberação para utilização. Contamos ainda com um projeto do governo federal para inserção de laptops nas escolas. E o que devemos fazer? Sou a favor da imediata transformação tecnológica na educação. Porém, é preciso primeiramente dar treinamento adequado a todos os professores e funcionários, independente do regime ao qual está lotado no Estado. Já demos o primeiro passo com o cadastramento dos professores nas escolas públicas estaduais, favorecendo os professores ao acesso a rede. Em segundo lugar, faz-se necessário a inserção de computadores logo nas séries iniciais. Isto produzirá efeitos colaterais tecnológicos de grande valia no decorrer da vida estudantil dos alunos.
ANDRÉ LUIS GOULART (professor) - Londrina
Tarde demais
Mais de 200 países, com representantes reunidos no Canadá no último dia 22, selaram um pacto para eliminar a produção de gases nocivos à camada de ozônio, com início de vigência entre 2030 e 2040. Apesar de leigo no assunto - mas atento ao derretimento de gelo mundo afora, penúria de rios e córregos, agonia das pastagens e florestas pela intensa seca -, acho o prazo extremamente longo. Se fosse possível, deveria vigorar com efeito retroativo. É só pegar qualquer estrada que você percebe como a aridez tomou conta das fazendas, onde boi morto de fome já faz parte da paisagem.
HABIB SAGUIAH NETO (aposentado) - Marataízes (ES)





