CARTAS
Mão-de-obra
Hoje no Brasil nos deparamos com uma realidade paradoxal. O governo acertadamente incentiva a educação, mas ao mesmo tempo em que isso acontece arma-se uma armadilha para muitos. Temos especialistas MBAs sendo formados, pessoas investindo milhares de reais para poder ocupar uma vaga no mercado de trabalho, mas estamos vendo também sendo contratada mão-de-obra sem especialização. Quem sai perdendo são os especialistas que investem em estudos e anos de preparação e a qualidade do serviço prestado. O que está acontecendo? Precisamos mudar a mentalidade daqueles que contratam. Além de incentivar a educação, o governo deve também conscientizar os empresários de que vale a pena contratar especialistas, pois todos sairão ganhando.
ANDERSON CARLOS SACHETIM GARCIA (bacharel em Direito) - Londrina
Leis próprias
Quem espera que os mensaleiros serão condenados ou presos pode deixar de ter tantas esperança assim. No Brasil, isso não acontece, pois prender políticos não é de praxe na terra tupiniquim. Eles têm imunidade, possuem foro privilegiado e também existem palavras para denominá-los diferentemente das ladrões comuns: eles são corruptos ou cometeram ato de improbidade, prevaricação ou peculato. As leis são cheias de brechas e labirintos. Enfim, eles fazem as leis para eles mesmos, pois são ''seres especiais''.
ANTONIO FABIANO PEREIRA (professor) - Leópolis
Cigarro e vício
Durante 48 anos fui escravo do vício do cigarro. Sempre tive conhecimento dos malefícios advindos dos derivados de tabaco. Tentei várias vezes parar com o consumo, mas não consegui. Até que um dia, cansado de perder todas as batalhas, ajoelhei-me sob a imagem de Jesus Cristo e com fé, pedi: ''Senhor, eu sozinho não tenho força para suplantar este mal e, portanto, peço-lhe que me conceda esta graça''. Como num passe de mágica, uma grande força gradativamente foi me fortalecendo e o grande inimigo - o vício - foi se esfacelando até chegar ao ponto de desintegrar-se. Se não for pela sua saúde ou pelo respeito ao seu próximo, larque o cigarro então pela lógica de raciocínio. Calcule o gasto diário (R$ 2,25 x 2), mensal (R$ 135,00) e anual (R$ 1.620,00). Gastei R$ 77.760,00 para sustentar este vício estúpido e grotesco.
EDSON MEDARDO SCARCHETTI (aposentado) - Londrina
Tirania dos vícios
Desde o descobrimento, nosso País vive grave crise moral e ética, muitas vezes nos levando ao sofrimento. Não conseguimos achar nossos caminhos porque somos guiados. Dos cérebros que brotam as idéias de conquista brotam idéias de levar vantagem. Como ficam os humildes e aqueles que amam a igualdade, a liberdade e a fraternidade? O que nos falta é mais amor a Deus, à pátria, à família e à humanidade. O dar de si antes de pensar em si. Onde está o ideal de servir? Teremos uma sociedade justa quando os interesses sociais estiverem acima dos interesses financeiros, não importando apenas quais as vantagens auferidas.
ORLANDO FERNANDES (administrador de Empresas) - Bela Vista do Paraíso
Exemplo do Parapan
Os EUA mandaram seus atletas das classes B ou C para os Jogos Pan-americanos e deram uma lavada nos brasileiros e nos outros países. No Parapan, mandaram a elite e tomaram uma lavada. Isso se deve principalmente aos treinamentos dos paraatletas brasileiros que se esforçam não só nos treinos, mas reforçam os treinamentos na rua, nos ônibus e até para serem atendidos no serviço público. Vou citar o meu caso. Sou totalmente surdo e só alguns poucos programas nas emissoras de TV têm legendas para facilitar a compreensão de quem não escuta. É por isso que o deficiente é campeão aqui. Sou campeão de leitura labial tanto que muita gente não acredita que sou surdo e os que acreditam nem percebem.
MARCIO DICESAR BENASSI (aposentado) - Sertanópolis
Direito à saúde
A Constituição prevê o direito à saúde como fundamental e avançou muito, até em relação a muitos países desenvolvidos, ao criar o Sistema Único de Saúde (SUS) estabelecendo o tratamento universal e igualitário. Esta criação legal, ainda continua a ser construída. Entretanto, a concessão de medicamentos de vanguarda, sequer disponíveis em nosso País, na prática, pode comprometer a atenção primária e mesmo a atenção vital de média e alta complexidade. Muitas vezes tais medicamentos são prescritos para cidadãos abastados, por profissionais que sequer atendem ao público do SUS. Saúde é direito de todos e dever do Estado, mas a sua consecução exige atenção ao sagrado sentimento de equidade que deve abalizar as ações do governo e da sociedade como um todo, no sentido de busca e tutela do verdadeiro bem comum.
TITO VALLE (advogado) - Londrina
- As cartas devem ser digitadas, ter no máximo 10 linhas e vir acompanhadas da fotocópia do RG, endereço, telefone e profissão/ocupação do leitor. Via internet: ter no máximo 10 linhas, nome completo, endereço, telefone, RG e profissão/ocupação. As opiniões poderão ser resumidas pelo jornal. E-mail: [email protected]





