CARTAS
Dente por dente
O caso da empregada doméstica que, confundida com uma prostituta, foi espancada por delinquentes de classe alta no Rio de Janeiro ainda rende debates. Seria justo em um país em que a impunidade é razão de vanglória de políticos e traficantes, em que a prisão torna-se faculdade para bandidos, prender jovens que cursam suas faculdades e preparam-se para o futuro? Concordo com o fato de o país ser um péssimo exemplo no quesito justiça. Entretanto, sou radical: ''Olho por olho, dente por dente''. Se quando roubam milhões da população, temos o direito de reaver com juros tudo o que nos foi tirado, então quem espanca mulheres deve também apanhar na cara e em qualquer outro lugar que os pontapés acertarem.
ETIENNE DUIM NARDINI (estudante de Fisioterapia) - Londrina
Desculpas, nada mais
A violência no Brasil virou mania nacional. Todas as classes participam. Também para tudo se tem uma desculpa. A violência do pobre contra o rico é a desculpa é a falta de igualdade. A violência do rico contra o pobre é a desculpa é o stress, a falta de educação. O círculo vicioso começou desde o descobrimento do Brasil: a violência dos invasores contra os índios. Porém, desde que queimaram um índio em Brasília essa violência parece ter aumentado. A violência impera onde a lei tem o obstáculo da burocracia e o que se busca é a impunidade. A mãe de todas as violências é o mau exemplo da classe política que se julga acima da lei e se livra de tudo que faz de errado. E a maioria do eleitorado continua alimentando essa violência votando maus políticos.
MANOEL JOSÉ RODRIGUES (auxiliar de escritório) - Alvorada do Sul
Maioridade penal
Reduzir a idade penal reduz a igualdade social e não a violência. É tratar o efeito, e não a causa. É encarcerar mais cedo a população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou possibilidade. O desafio da sociedade deveria ser o de educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado do ponto de vista emocional e social. Nesse contexto, a família e a escola são essenciais. Um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação escolar e profissional ao longo da vida no sistema de educação e trabalho. O Estatuto da Criança e do Adolescente propõe responsabilização do adolescente que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas, e não a impunidade como muitos apregoam.
HILBERALDI CORREIA DE LIMA (comandante da 2 Companhia Ambiental Força Verde) - Londrina
Apunhalada
Ao mesmo tempo em que as tragédias acontecem uma atrás da outra, uma notícia
me deixou estupefato: a possível legitimação, sem concurso público, com estabilidade e aposentadoria integral garantida para mais de 300 mil funcionários e assessores em cargos de confiança que labutam no serviço público. Esse projeto representa uma facada na Constituição e atiça enormemente a nossa capacidade de indignação. Aliás, cadê o espírito público do autor desse projeto? Quem vai pagar a conta dessa ''grandeza'' de criatividade? Será que já não bastam tanta esfoliação, falta de respeito e seriedade para com o povo brasileiro e a coisa pública?
ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO (estudante de Elétrica) - Curitiba
'Especialistas'
Muito interessante a Câmara e o Senado Federal, seus membros não conseguem identificar as pessoas desonestas que trabalham a seu lado, não detectam falcatruas, não apuram responsabilidade de denúncias, não conseguem responsabilizar nem punir ninguém e também não se organizam para compor um governo que realmente administre nosso país e os bens públicos. Estes senhores superdotados, de um momento para o outro, viraram auditores do sistema aéreo nacional, dando opinião e inquerindo pessoas técnicas e profissionais altamente habilitados. Vários órgãos e empresas poderiam realizar este trabalho de investigação, mas não deputados e senadores que não são garantia de transparência e retidão na condução de qualquer tipo de processo.
PAULO MAURICIO ACQUAROLE (representante comercial) - Londrina
Taxa de incêndio
Qualquer profissional liberal que abre um estabelecimento para exercer sua profissão deve pagar uma taxa pela vistoria do Corpo de Bombeiros. Em Cambé, até 2005 esta taxa era de R$ 11,90. O dinheiro caía na conta da prefeitura e era destinado para o Corpo de Bombeiros local. A corporação tinha autonomia para direcionar os recursos. Em 2005, a taxa passou a ser recolhida pelo Estado e teve reajuste de 700% (subiu para R$ 82,65). A justificativa foi que o Paraná está reequipando toda sua frota de bombeiros. Mas se a realidade dos bombeiros não atesta esta correlação, se a aquisição de caminhões, ambulâncias, uniformes encontra-se muito aquém do que se poderia obter com este reajuste, certamente há algo errado.
DANIEL POLIMENI MAIRENO (psicólogo) - Cambé
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