CARTAS
Vestibular unificado
Caso seja aprovada a proposta de unificação do vestibular, os estudantes mais pobres do Paraná é que vão se beneficiar. Ao contrário do que dizem os reitores da UEL e UEM que os alunos têm o direito de fazer quantos vestibulares quiserem, somente os mais ricos fazem vestibular em várias universidades. Não é apenas a taxa do vestibular, mas tem o custo de hospedagem, alimentação, transporte que não é para qualquer aluno. Com certeza, esses reitores estão pensando no quanto vão deixar de arrecadar com os vestibulares e não nos alunos mais necessitados do Paraná.
JOSÉ WAGNER RIGOLDI
(técnico em informática)
- Londrina
Terceirização
Com relação à matéria Volume de terceirizados em Londrina assusta (Política, pág. 6, 15/08), a terceirização é um novo meio legal de ajudar amigos, apadrinhados e cabos eleitorais. Nós, o povo otário, continuamos pagando a conta. É pedágio, Zona Azul, carros oficiais, indústria da multa, pardais, merendeiras. Um dia poderemos terceirizar prefeituras, governo do Estado e governo federal. Se sai mais barato e são mais eficientes como os governos atuais afirmam, poderemos dar a conta para a iniciativa privada sem ter de passar por inquéritos, CPI e agüentar tantos impostos.
TARCISIO MARTINS
(professor) - Londrina
Lula x Getúlio
Quando li o título do artigo Lula: igual a Getúlio, sem Felinto Müller (Espaço Aberto, 16/08), confesso que me entusiasmei com a comparação. No entanto, o conteúdo do artigo não condiz com a nossa realidade. Vinte milhões de brasileiros têm o direito de se alimentar, e se isso foi feito é apenas o primeiro passo. Lula, assim como Getúlio, tem a capacidade de persuadir a população carente e, concomitantemente, favorecer a elite. Ambos merecem os títulos Pai dos pobres e Mãe dos ricos. Lula e Getúlio têm muitas coisas em comum, a diferença é que não temos mais uma Olga para mandar ao campo de concentração, como fez Felinto (com o consentimento de Getúlio, é claro). Hoje, a população é quem paga o pato e luta para sobreviver, e ainda temos programas assistencialistas para acalmar os ânimos. Um metalúrgico, portanto, deveria honrar a classe da qual procede.
YARA TALITA BRAGA
(estudante) - Londrina
Canalhocracia
O Congresso Nacional metamorfoseou-se num refinado clube de canalhocratas, com raras e honrosas exceções. É por isso que ladrões e quadrilheiros agem muito à vontade: o Brasil é o paraíso da impunidade. Os miasmas putrefacientes que exalam do Congresso são uma eloqüente motivação para saquear o erário público em todos os níveis. O Conselho de Ética do Senado empenha-se em salvar Renan Calheiros, porém o barco já está fazendo água.
ANTONIO DÉNATZ
RIBEIRO DA SILVA
(auditor fiscal) - Curitiba
Idealismo
Em um país com homens idealistas como o secretário de Segurança Pública do Paraná, que renunciou ao cargo de promotor público onde tinha um salário de R$ 19 mil para ocupar um cargo com salário de R$ 12 mil e onde alguns deputados federais renunciam aos seus mandatos para serem prefeitos, não deveria existir corrupção, obras superfaturadas, licitações fraudulentas, desvios de verbas, etc. É difícil entender por que em um país onde existem pessoas tão idealistas que renunciam a cargos tão importantes e com salários elevados em troca de funções com menor remuneração ainda existe tanta corrupção? Será que alguém entende?
TOCHITANE MITSI
(gerente de restaurante) - Londrina
Usina de Mauá
Com relação à concessão de licença à Usina Hidrelétrica de Mauá, partindo da premissa de que áreas serão submersas provocando alterações na fauna e na flora, é preciso estudos complementares que alcancem fatores como migração, reforma agrária, perda de biodiversidade e inchaço urbano. Este estudo é necessário porque o habitat natural de plantas e animais será destruído; terras cultiváveis serão inutilizadas; a questão agrária será esquentada pela desapropriação de terras, de assentamentos e indenizações; o exôdo rural poderá reduzir a população dos municípios e causar impacto na arrecadação de impostos na economia regional; áreas metropolitanas receberão inúmeros migrantes. Problemas como falta de moradia (crescimento de favelas), de emprego, acesso à educação, saúde, segurança, etc., serão potencializados. Sem um planejamento, certamente o impacto não será apenas ambiental, mas também social como no caso das Usinas de Salto Santiago e Itaipu que serviram de exponenciadoras para um dos maiores movimentos sociais e políticos do país: MST e reforma agrária.
STALLONE DOS SANTOS RIBEIRO (estudante de Geografia) - Cianorte





