CARTAS
Bem público
Quando lançamos a pergunta o que é o bem público, a resposta mais frequente é: ''O bem público é aquilo que é de todo mundo''. Segundo essa lógica, acaba sendo de ninguém. Essa linha de pensamento é nociva, pois se é de ninguém, por que devo preservá-lo? Mas o que vem ser o bem público? É aquilo que é socializado ou comungado comunitariamente. Ele é sim de todos, porém antes de pensarmos dessa maneira, precisamos pensar o seguinte: é meu! Não um meu no sentido possessivo, mas no sentido de entender que aquele bem também é meu. Ora quando eu compreendo que é meu, a tônica muda, ninguém depreda o seu próprio bem, pelo contrário, cada um cuida bem do que é seu. Se todo cidadão tivesse essa consciência, cada um faria sua parte, cuidando do que é público, se tornando inclusive um fiscal, pois não permitiria um mau trato naquilo que é seu. Se tivéssemos essa consciência, desde nosso bairro até nosso país, estaria melhor cuidado. Essa é a consciência que rege países como Canadá e outros e deveria servir de exemplo para nós.
RAFAEL THOMAZINI (estudante de Psicologia) - Londrina
Radares
Não tenho dúvida que existe algo de sórdido nessa história de locação de radares para Londrina. Nosso município foi um dos primeiros a implantar uma ''ativa e moderna'' indústria da multa. Portanto, é desnecessário o gasto com a locação de novos radares, já que o município dispõe de um sistema eficiente e funcionando para meter a mão no bolso do contribuinte. O desrespeito com o dinheiro público chega ao ápice da avacalhação, falta criatividade às nossas autoridades, incapazes de criar novos mecanismos para lesar o cidadão.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina
Planejamento familiar
É um assunto polêmico, mas muito fácil de resolvê-lo. Somente quem já sentiu na própria carne é que sabe. Ninguém manda no seu corpo a não ser você mesmo. A Igreja e políticos não mandam por que não sabem o que se passa na vida de um casal que não sabe planejar o modo de vida por ignorância ou desinformação. Tive sorte de conhecer um marido de cabeça aberta e conhecedor do mundo, e assim soubemos planejar nosso futuro. Na época não existia tantos métodos para se evitar uma gravidez como os que existem hoje. As igrejas e o governo podem e devem fazer alguma coisa para esclarecer ao povo de baixa renda que passa fome, sem emprego e com uma porção de filhos para criar. Conheci um casal com nove filhos quase passando fome, mesmo o pai trabalhando o que ganhava não dava para sustentá-los. A esposa me pediu explicação de como evitar filhos, e foi daí que ela aprendeu como poderia evitar uma gravidez. Sou a favor do planejamento familiar.
THEREZA MARIA BARROS (aposentada) - Londrina
Segredos da mente
Há uma força superior que rege todo nosso destino, que às vezes pode se transformar em delírio e muito sofrimento, tanto para o indivíduo como para seus familiares. Localizada no cérebro, esta força não respeita credos, condição social, cor e muito menos idade ou sexo. Ela impede que uma pessoa pare de fumar, de beber ou de usar qualquer outra droga, sem falar no vício de comprar compulsivamente, de jogar, etc. Nada é mais inexplicável do que este domínio. Pessoas subjugadas, que até na hora da morte não abrem mão de um cigarro, de uma bebida ou de outra dose qualquer. Quem será capaz de dominar tão aterradora força? O pior de não conseguir fugir deste domínio, é sentir-se culpado a cada tragada, a cada gole ou a cada ato considerado vício. O melhor mesmo é parar de se culpar ou tentar moderar a frequência dos atos que levam à destruição. Aos jovens fica o conselho: evitem o primeiro gole ou a primeira tragada, pois se isto ocorrer serão mais uma vítima desta força dominadora.
ESMERALDINO FRANCO (professor) - Londrina
Caos na cultura
A palavra cultura tem significado muito mais do que um simples desenvolvimento intelectual, um saber, é cultivar, dedicar-se, formar e principalmente conservar. O grande problema são os obstáculos persistentes da falta de apoio a estes ''cultivos culturais''. O que podemos fazer com a grande demanda de talentos esquecidos e os que estão surgindo? Resultado dessa falta de apoio são as ''evasões culturais'' que acontece dia-a-dia. Talentos ligados à arte, música, dança, folclore e teatro estão deixando de ser ''matutos'' e indo buscar fora da cidade provinciana o apoio e o reconhecimento que precisam, já que estão sendo esquecidos e ignorados pelo poder público. Como podemos transformar uma ''cidade de província'' em um grande ''pólo cultural'' se quem deveria ter o interesse por isso não tem?
VIVALDO SIMONETO (artista plástico) - Assis Chateaubriand





