CARTAS
Concha Acústica
Ainda de calças curtas, me lembro do meu deslumbre ao ouvir o acordeão da Evelina Grandis na inauguração da Concha Acústica no ano de 1957. Também eu e o meu piano crescemos no palco da Concha junto à Orquestra Mirim da Biblioteca Municipal de Londrina regida pelo maestro João Batista e nos festivais de balé onde Cristina Fernandes, a filha do então prefeito era a primeira bailarina. Desde então, a Concha atravessou fases de romance e revolução, cultura e contestação, de resgate e revitalização. E 50 anos depois, temos uma Concha Acústica acompanhada do Memorial do Pioneiro, uma homenagem aos índios caingangues e aos desbravadores e pioneiros, como os pais de muitos nós londrinenses. Um espaço passado-futuro ideal para todos as atividades culturais da cidade e dos nossos festivais. Parabéns Londrina, parabéns Secretaria de Cultura.
MARCO ANTONIO DE ALMEIDA (diretor Artístico do Festival de Música de Londrina)
Educação em xeque
No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), Londrina tirou: 4,7 de 1 à 4 séries; e 3,8 de 5 à 8 séries. Nivelarmo-nos por baixo cria um falso entusiasmo, pois, todos que um dia fomos à escola, sabemos que estamos ''reprovados''. Nós, professores, devemos encarar: 1) as crianças e os adolescentes de hoje são tão inteligentes quantos nós fomos; 2) mas não conseguimos ensinar-lhes nem o básico: ler, escrever e aritmética, portanto; 3) nós, também, fomos reprovados; 4) e não cabe, senão a nós, os ''profissionais de ensinar'', resolver esse problema. Concluímos, também, que o ensino em tempo integral - vejam o mau resultado de Apucarana no IDEB - por si só, não melhora a aprendizagem dos alunos.
LUIZA LEONOR CAVAZOTTI E SILVA (diretora Educacional da Guarda Mirim) - Londrina
Escola no vermelho
Estamos perdidos! Alunos de Londrina, do Paraná e do Brasil estão tirando nota vermelha. E os mandatários políticos locais comemoram. Não tem por que as autoridades londrinenses, da Prefeitura e da Câmara, ficar sorrindo pelo fato de as escolas municipais estarem acima da média nacional é de uma pequenez sem tamanho. Estão nivelando o ensino por baixo. São todas médias vexatórias.
FÁBIO HENRIQUE PAULO DA SILVA (bacharel em Direito) - Londrina
Discurso de Lula
Nosso presidente, em discurso emocionado e hipócrita, informou que todas as escolas do Brasil receberão computadores, porém esqueceu que grande parte das escolas nem mesmo luz tem a sua disposição. Quando o mundo fala que a melhor saída é a educação é necessário ter inteligência para definir qual tipo de educação irá melhorar a qualidade de vida de um povo. A informática em nosso país é muito mais um fato comercial do que de avanço tecnológico. Grande parte dos usuários da informática passa o dia jogando ou conversando papo furado. A educação que irá salvar nosso país está ligado a ler e escrever corretamente, à matemática, à cidadania, à higiene e controle de endemias e prevenção de doenças. Quando atingirmos este estágio, e estamos muito longe disso, nossos jovens e crianças terão a seu dispor o poder de decidir o seu horizonte. Neste segundo momento, o governo pode e deve disponibilizar acesso a outros conhecimentos mais específicos.
PAULO MAURICIO ACQUAROLE (representante comercial) - Londrina
Leitor e a mídia
Importante este espaço da FOLHA destinado à opinião do leitor. Com isso, a mídia demonstra o alto grau de responsabilidade que possui em relação à consolidação de nossa democracia. Jornalismo sério, que apresenta matérias que vão além do simples caráter noticioso, fornecendo, além de dados, um debate aprofundado sobre as diversas questões que envolvem a sociedade. A mídia tem o poder de levar à reflexão e à discussão ampliada dos problemas sociais que vêm afetando gravemente a sociedade brasileira. Demonstra com estas atitudes que está ciente de seu grande potencial nas ações que visam o bem-estar da população.
HILBERALDI CORREIA DE LIMA (comandante da 2 Companhia Ambiental Força Verde) - Londrina
Ambulantes
Por que a Prefeitura de Curitiba faz tantas perseguições contra trabalhadores de rua? Dias destes, na Praça Tiradentes, vi fiscais, em uma kombi estacionada irregularmente em cima da calçada, fazendo manobras tresloucadas para ''capturar'' os produtos dos ambulantes. Colheram até perfumes de um carrinho de mão de um rapaz. Outro fato alarmante é que fiscais agrediram um vendedor do famoso carro dos sonhos para dar resposta aos âncoras de uma rádio que reclamavam do barulho que este trabalhador estaria fazendo nas ruas ao anunciar no alto falantes os doces.
VAGNER RODRIGO CRUZ (pedagogo) - Curitiba





